Beija-Flor apresentou a sinopse do enredo para o Rei
TUDO DE SAMBA - Por Simone Fernandes
Irapuã Jeferson
A quadra da escola já está decorada com painéis alusivos ao enredo
O cantor e compositor Roberto Carlos conheceu na tarde desta quarta-feira, 16, a sinopse do enredo "A simplicidade de um rei", que servirá de inspiração aos compositores da Beija-Flor na criação das obras que participarão do concurso que vai escolher a trilha sonora do desfile de 2011, em que ele será homenageado. O Rei recebeu, em seu estúdio, no bairro da Urca, Zona Sul do Rio, a direção da azul-e-branco, o intérprete Neguinho da Beija-Flor, o diretor de carnaval Laíla, e os carnavalescos Alexandre Louzada, Fran Sérgio, Victor Santos e Ubiratan Silva.
O texto criado pelos carnavalescos, e que foi entregue horas mais tarde, na quadra da escola, aos poetas da agremiação, foi lido para o Rei por Alexandre Louzada.
- No início da leitura, ele disse que ficou preocupado porque a sinopse é toda na primeira pessoa, e ele achou que, em algum momento, poderia se auto-homenagear. Depois, com o decorrer da leitura, quando viu que tivemos esse cuidado, ele ficou mais relaxado, e disse que gostou. Foi o segundo encontro da comissão de carnaval com ele, e, ao que tudo indica, a cada encontro, sairemos mais convictos de que ele merece todas as homenagens - afirmou Louzada.
Na conversa com o Rei, ficou acertado que haverá um show na quadra da escola, ainda sem data definida, para que ele possa ter contato com a comunidade.
- Houve quem sugerisse que ele fizesse um show num lugar mais amplo, tipo Maracanã, mas ele disse que quer que seja na quadra mesmo, porque quer ter um contato mais próximo com a escola - completou o carnavalesco.
Mas o show que ainda não tem data marcada, mas deve acontecer entre dezembro e janeiro, não deverá ser o único contato do artista com a comunidade da Beija-Flor antes do desfile. Segundo Laíla, Roberto Carlos sinalizou com a possibilidade de estar em Nilópolis.
- Ele disse que pode ir à quadra no dia de uma das eliminatórias do concurso de samba-enredo - informou o diretor de carnaval.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Arte cênica
Crítica de Teatro
por Jória Lima (*)
Já Passam das Oito, comédia que estreou no último sábado, 12 de junho, com a Cia de Teatro Fiasco, merece ser vista não só para prestigiarmos um autor local (caso raro que devemos relevar sempre, dada a difícil arte de escrever para teatro), mas para conferir a ousadia e a coragem que Fabiano Barros teve de trazer a público um texto baseado em fatos reais evidentemente elevados a enésima potência humorística e de aparente banalidade.
Duas tias velhas e ciumentas de seu sobrinho, o qual impedem a todo custo que se case, o que a princípio parece banal é tornado cômico em virtude das hipérboles textuais e da excelente performance do elenco (Alexandre Lemos como Tia Nalda, Juraci Júnior como Tia Alda, William Bezerra como Valdinho e Andressa Romão como Maria Louisa) e a direção justa do próprio Fabiano. Devemos ressaltar também a elegância do figurino e cenário de Einstein Berguerand e a maquiagem precisa de Alexandre Braga, que aliás dá um show de interpretação de tal modo que chegamos a crer em vários momentos que se trata mesmo de uma de nossas tias velhas, atuação na medida justa, o que é difícil de encontrar no gênero besteirol.
Aliás, essa é outra discussão: o gênero. Li uma crônica há algum tempo intitulada “Quem tem medo do besteirol?” de Andréa Trompczynski que nos chama atenção exatamente para o fato de que rir é algo de que todo mundo gosta e precisa mas, que alguns têm vergonha de assumir que riem do Tiririca, do Tom, das videocassetadas, do Caco Antibes, etc.
E, caros colegas e leitores, eu devo confessar que durante muito tempo pertenci a este mesmo grupo de pessoas avessas ao riso fácil, felizmente a maturidade nos põe às avessas novamente, vemos o mundo com outros olhos, já distantes da necessidade de provar algo à alguém. Assim, definir o espetáculo como pertencente ao gênero besteirol pode ser um tanto perigoso porque pode afastar a intelligentsia local que preferirá continuar carregando seu Zaratustra de bolso sem nunca terminar de ler ou retomar a Montanha Mágica de Thomas Mann pela décima vez no capítulo um, enfim...para os quais rir é algo pecaminoso, privado, que só se faz escondido, quando ninguém mais está diante da tv.
Felizmente nos libertamos desses e outros tabus para podermos sair de casa e rir sem culpa numa alegria compartilhada que o espetáculo teatral nos proporciona, nesta confraternização popular onde nos reconhecemos e degustamos a sensação apaziguadora de pertencimento de grupo. Então, vá ao teatro Banzeiros, sábados e domingos até o dia 04 de julho. Horário: 20h30. Informações: (69) 8421-0414 ou 3227-9155.
(*) - autora teatral
por Jória Lima (*)
Já Passam das Oito, comédia que estreou no último sábado, 12 de junho, com a Cia de Teatro Fiasco, merece ser vista não só para prestigiarmos um autor local (caso raro que devemos relevar sempre, dada a difícil arte de escrever para teatro), mas para conferir a ousadia e a coragem que Fabiano Barros teve de trazer a público um texto baseado em fatos reais evidentemente elevados a enésima potência humorística e de aparente banalidade.
Duas tias velhas e ciumentas de seu sobrinho, o qual impedem a todo custo que se case, o que a princípio parece banal é tornado cômico em virtude das hipérboles textuais e da excelente performance do elenco (Alexandre Lemos como Tia Nalda, Juraci Júnior como Tia Alda, William Bezerra como Valdinho e Andressa Romão como Maria Louisa) e a direção justa do próprio Fabiano. Devemos ressaltar também a elegância do figurino e cenário de Einstein Berguerand e a maquiagem precisa de Alexandre Braga, que aliás dá um show de interpretação de tal modo que chegamos a crer em vários momentos que se trata mesmo de uma de nossas tias velhas, atuação na medida justa, o que é difícil de encontrar no gênero besteirol.
Aliás, essa é outra discussão: o gênero. Li uma crônica há algum tempo intitulada “Quem tem medo do besteirol?” de Andréa Trompczynski que nos chama atenção exatamente para o fato de que rir é algo de que todo mundo gosta e precisa mas, que alguns têm vergonha de assumir que riem do Tiririca, do Tom, das videocassetadas, do Caco Antibes, etc.
E, caros colegas e leitores, eu devo confessar que durante muito tempo pertenci a este mesmo grupo de pessoas avessas ao riso fácil, felizmente a maturidade nos põe às avessas novamente, vemos o mundo com outros olhos, já distantes da necessidade de provar algo à alguém. Assim, definir o espetáculo como pertencente ao gênero besteirol pode ser um tanto perigoso porque pode afastar a intelligentsia local que preferirá continuar carregando seu Zaratustra de bolso sem nunca terminar de ler ou retomar a Montanha Mágica de Thomas Mann pela décima vez no capítulo um, enfim...para os quais rir é algo pecaminoso, privado, que só se faz escondido, quando ninguém mais está diante da tv.
Felizmente nos libertamos desses e outros tabus para podermos sair de casa e rir sem culpa numa alegria compartilhada que o espetáculo teatral nos proporciona, nesta confraternização popular onde nos reconhecemos e degustamos a sensação apaziguadora de pertencimento de grupo. Então, vá ao teatro Banzeiros, sábados e domingos até o dia 04 de julho. Horário: 20h30. Informações: (69) 8421-0414 ou 3227-9155.
(*) - autora teatral
Samba bom
quarta-feira, 16 de junho de 2010
ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL (02)
O ex-ministro Edson Santos e o atual titular da Secretaria de Políticas para a Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araujo, acompanham reunião da CCJ do Senado que aprovou relatório sobre o projeto que cria o Estatuto da Igualdade Racial - Agência Brasil
BRASÍLIA - O Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado nesta quarta-feira, em votação simbólica, pelo plenário do Senado. O texto, que segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, exclui dispositivos que definiam as cotas étnicas para o ingresso no ensino superior. Também foi retirado do projeto o artigo que estabelecia políticas nacionais de saúde específicas para os negros.
A votação aconteceu no mesmo dia em que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Casa aprovou o relatório do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) sobre o projeto que criava o estatuto.
O texto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), prevê garantias e o estabelecimento de políticas públicas de valorização aos negros brasileiros. Na área educacional, por exemplo, incorpora no currículo de formação de professores temas que incluam valores de respeito à pluralidade etnorracial e cultural da sociedade
O senador disse, em entrevista à Agência Senado, que concorda com a posição da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Presidência da República (Sepir-PR), segundo a qual o estatuto representa um avanço, embora não contemple a política de cotas raciais.
- Ele [o estatuto] tem um valor simbólico que ilumina o caminho dos que lutam pela igualdade de direitos e por ações afirmativas - afirmou o senador, acrescentando que o estatuto dará "conforto legal" para que se avance na busca da regulamentação das cotas raciais.
Paulo Paim lamentou a decisão do relator que, além das cotas para entrar no ensino superior, retirou do estatuto o artigo que dizia respeito à criação de incentivos fiscais como forma de estimular a contratação de negros tanto no setor público quanto no privado. Já o relator argumentou que essa medida criaria uma preferência para a contratação de trabalhadores negros.
- Assim, o estatuto prega a discriminação reversa em relação aos brancos pobres e cria clara situação de acirramento dos conflitos relacionados à cor da pele - afirmou Demóstenes Torres.
O senador Paulo Paim manifestou sua expectativa na aprovação de projeto sobre cotas raciais da deputada Nice Lobão (DEM-MA), que se encontra na CCJ. De acordo com o parlamentar, o projeto já foi bastante modificado, tanto na Câmara, onde tramitou por onze anos, quanto no Senado, onde gerou polêmica e teve sua votação adiada diversas vezes.
Porém, o senador considera como pontos positivos do estatuto o reconhecimento ao livre exercício de cultos religiosos e o direito dos remanescentes de quilombos às suas terras.
Por outro lado, o deputado Edson Santos (PT-RJ), que foi ministro da Igualdade Racial e acompanhou a votação da matéria na CCJ nesta quarta-feira junto com o atual ministro da pasta, Elói Ferreira de Araújo, disse que a garantia do acesso à educação e a instituição de uma política de ação afirmativa, propostas pelo Estatuto, atendem a anos de luta da comunidade negra.
O projeto determina a obrigatoriedade, nas escolas de ensino fundamental e médio, do estudo de história geral da África e da população negra no Brasil. Neste último caso, os conteúdos serão ministrados como parte do currículo escolar com o objetivo de resgatar a contribuição negra para o "desenvolvimento social, econômico, político e cultural do país".
Objeto de várias modificações, o texto vinha sendo discutido há dez anos na Câmara e no Senado.
BRASÍLIA - O Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado nesta quarta-feira, em votação simbólica, pelo plenário do Senado. O texto, que segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, exclui dispositivos que definiam as cotas étnicas para o ingresso no ensino superior. Também foi retirado do projeto o artigo que estabelecia políticas nacionais de saúde específicas para os negros.
A votação aconteceu no mesmo dia em que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Casa aprovou o relatório do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) sobre o projeto que criava o estatuto.
O texto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), prevê garantias e o estabelecimento de políticas públicas de valorização aos negros brasileiros. Na área educacional, por exemplo, incorpora no currículo de formação de professores temas que incluam valores de respeito à pluralidade etnorracial e cultural da sociedade
O senador disse, em entrevista à Agência Senado, que concorda com a posição da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Presidência da República (Sepir-PR), segundo a qual o estatuto representa um avanço, embora não contemple a política de cotas raciais.
- Ele [o estatuto] tem um valor simbólico que ilumina o caminho dos que lutam pela igualdade de direitos e por ações afirmativas - afirmou o senador, acrescentando que o estatuto dará "conforto legal" para que se avance na busca da regulamentação das cotas raciais.
Paulo Paim lamentou a decisão do relator que, além das cotas para entrar no ensino superior, retirou do estatuto o artigo que dizia respeito à criação de incentivos fiscais como forma de estimular a contratação de negros tanto no setor público quanto no privado. Já o relator argumentou que essa medida criaria uma preferência para a contratação de trabalhadores negros.
- Assim, o estatuto prega a discriminação reversa em relação aos brancos pobres e cria clara situação de acirramento dos conflitos relacionados à cor da pele - afirmou Demóstenes Torres.
O senador Paulo Paim manifestou sua expectativa na aprovação de projeto sobre cotas raciais da deputada Nice Lobão (DEM-MA), que se encontra na CCJ. De acordo com o parlamentar, o projeto já foi bastante modificado, tanto na Câmara, onde tramitou por onze anos, quanto no Senado, onde gerou polêmica e teve sua votação adiada diversas vezes.
Porém, o senador considera como pontos positivos do estatuto o reconhecimento ao livre exercício de cultos religiosos e o direito dos remanescentes de quilombos às suas terras.
Por outro lado, o deputado Edson Santos (PT-RJ), que foi ministro da Igualdade Racial e acompanhou a votação da matéria na CCJ nesta quarta-feira junto com o atual ministro da pasta, Elói Ferreira de Araújo, disse que a garantia do acesso à educação e a instituição de uma política de ação afirmativa, propostas pelo Estatuto, atendem a anos de luta da comunidade negra.
O projeto determina a obrigatoriedade, nas escolas de ensino fundamental e médio, do estudo de história geral da África e da população negra no Brasil. Neste último caso, os conteúdos serão ministrados como parte do currículo escolar com o objetivo de resgatar a contribuição negra para o "desenvolvimento social, econômico, político e cultural do país".
Objeto de várias modificações, o texto vinha sendo discutido há dez anos na Câmara e no Senado.
ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL
Após sete anos, Senado aprova Estatuto da Igualdade Racial
Previsão de cotas para negros foi retirada do projeto, que entra em vigor após sanção presidencial
16 de junho de 2010 | 19h 54
Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo / BRASÍLIA
Alvo de discussões acirradas nos sete anos de tramitação, o projeto de lei que institui no País o Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado nesta quarta-feira, 16, no Senado, em votação simbólica, e entrará em vigor logo que for sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O substitutivo final negociado pelo governo e pelo relator Demóstenes Torres (DEM-GO) suprimiu do texto a previsão de cotas para negros na educação, serviço público e privado e nos partidos políticos. Deixou, ainda, de fora o ponto que previa a adoção de política pública de saúde exclusiva para população negra.
Representantes da comunidade negra, chegaram a ensaiar um protesto pela manhã, quando da aprovação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O tom contrário deu lugar à receptividade, quando ouviram as explicações do autor do projeto, senador Paulo Paim (PT-RS), do ex e do atual ministro da Igualdade Racial, respectivamente deputado Edson Santos (PT-RJ) e Elói Ferreira de Araujo. Segundo eles, embora não seja o ideal, o estatuto retrata 90% dos anseios dos movimentos negros do País.
O ministro e o deputado asseguram que, ao definir como política pública a implementação de programas de ações afirmativas, o estatuto dará condições ao governo de regulamentar por decreto a adoção de cotas ou outro tipo de bonificação em favor da população negra.
"Fazer um cavalo de batalha em cima das cotas, quando a ação afirmativa está assegurada, é pouco inteligente", afirmou o deputado. "A proposta foi negociada com todo o governo, até porque não teria sentido adotar medidas sem esse tipo de apoio", destaca ele.
O ministro da Igualdade Racial avalia que a aprovação do estatuto "foi uma vitória da Nação brasileira" porque reflete "o melhor entendimento possível em torno do assunto". O senador Paulo Paim disse que "não vai jogar a toalha com a aprovação do estatuto" e que continuará defendendo os direitos dos negros.
Conflitos
Durante a negociação do projeto, o relator Demóstenes Torres manteve a posição de não acatar medidas que, na sua opinião, resultaria no acirramento dos conflitos relacionados à cor da pele.
O senador citou como exemplo a adoção de cotas no serviço público ou privado, mediante a oferta de incentivos fiscais para empresas, o que - na sua opinião - resultaria na demissão de trabalhadores brancos pobres para contratação de negros.
Nos casos não previstos na Constituição, ele trocou a menção de "raça" pela de etnia, "para combater a falsa ideia de que existe outra raça, além da raça humana". Foi ainda contrário ao uso da expressão "fortalecer a identidade negra", por entender que não existe uma identidade paralela à identidade branca.
"O que existe é uma identidade brasileira", defende. "Apesar de existentes, o preconceito e a discriminação no País não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural, diversa e miscigenada, na qual os valores nacionais são vivenciados pelos negros e pelos brancos".
Previsão de cotas para negros foi retirada do projeto, que entra em vigor após sanção presidencial
16 de junho de 2010 | 19h 54
Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo / BRASÍLIA
Alvo de discussões acirradas nos sete anos de tramitação, o projeto de lei que institui no País o Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado nesta quarta-feira, 16, no Senado, em votação simbólica, e entrará em vigor logo que for sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O substitutivo final negociado pelo governo e pelo relator Demóstenes Torres (DEM-GO) suprimiu do texto a previsão de cotas para negros na educação, serviço público e privado e nos partidos políticos. Deixou, ainda, de fora o ponto que previa a adoção de política pública de saúde exclusiva para população negra.
Representantes da comunidade negra, chegaram a ensaiar um protesto pela manhã, quando da aprovação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O tom contrário deu lugar à receptividade, quando ouviram as explicações do autor do projeto, senador Paulo Paim (PT-RS), do ex e do atual ministro da Igualdade Racial, respectivamente deputado Edson Santos (PT-RJ) e Elói Ferreira de Araujo. Segundo eles, embora não seja o ideal, o estatuto retrata 90% dos anseios dos movimentos negros do País.
O ministro e o deputado asseguram que, ao definir como política pública a implementação de programas de ações afirmativas, o estatuto dará condições ao governo de regulamentar por decreto a adoção de cotas ou outro tipo de bonificação em favor da população negra.
"Fazer um cavalo de batalha em cima das cotas, quando a ação afirmativa está assegurada, é pouco inteligente", afirmou o deputado. "A proposta foi negociada com todo o governo, até porque não teria sentido adotar medidas sem esse tipo de apoio", destaca ele.
O ministro da Igualdade Racial avalia que a aprovação do estatuto "foi uma vitória da Nação brasileira" porque reflete "o melhor entendimento possível em torno do assunto". O senador Paulo Paim disse que "não vai jogar a toalha com a aprovação do estatuto" e que continuará defendendo os direitos dos negros.
Conflitos
Durante a negociação do projeto, o relator Demóstenes Torres manteve a posição de não acatar medidas que, na sua opinião, resultaria no acirramento dos conflitos relacionados à cor da pele.
O senador citou como exemplo a adoção de cotas no serviço público ou privado, mediante a oferta de incentivos fiscais para empresas, o que - na sua opinião - resultaria na demissão de trabalhadores brancos pobres para contratação de negros.
Nos casos não previstos na Constituição, ele trocou a menção de "raça" pela de etnia, "para combater a falsa ideia de que existe outra raça, além da raça humana". Foi ainda contrário ao uso da expressão "fortalecer a identidade negra", por entender que não existe uma identidade paralela à identidade branca.
"O que existe é uma identidade brasileira", defende. "Apesar de existentes, o preconceito e a discriminação no País não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural, diversa e miscigenada, na qual os valores nacionais são vivenciados pelos negros e pelos brancos".
A mulher e a Educação
Antonieta de Barros: mulher, educadora e política
"Toda ação requer instrumento. E o instrumento máximo da vida é a instrução... E só vive, no sentido humano da palavra, o que pensa. Os outros se movem, tão somente".
( Antonieta de Barros-1933)
Filha de Rodolfo e Catarina de Barros, Antonieta de Barros nasceu em Florianópolis, Santa Catarina em 11 de julho de 1901.De família humilde muito cedo se tornou órfã de pai. Antonieta, filha de lavadeira, foi alfabetizada com cinco anos e, ao sete foi matriculada na Escola Lauro Muller para cursar o primário. Ingressou com 17 anos no curso normal com ajuda de um influente amigo da família. Sua vocação para o magistério mobilizou-a pela criação , em sua residência, de um curso para alfabetizar crianças carentes. Denominado "Curso Particular Antonieta de Barros" funcionou de 1922 à 1964 na rua Fernando Machado, número 32, no centro de Florianópolis.
No ano de 1933, com notável conhecimento da literatura e língua portuguesa, foi nomeada professora da Escola Complementar Lauro Muller. Em 1934 foi efetivada como professora da Escola Normal Catarinense. Lecionou no Colégio Coração de Jesus e no Instituto Estadual de Educação, este último dirigiu de 1944 à 1951 quando de sua aposentadoria.
Sua atuação como jornalista inicia-se em 1922 com a fundação do jornal "A Semana". Escreveu para vários jornais e, no ano de 1937, com o pseudônimo de Maria da Ilha publicou "Farrapos de idéias" onde reúne suas crônicas.
Influente, e com idéias firmes em defesa do magistério e do direito à educação para os menos favorecidos, em 1934 apresenta seu nome para a Constituinte Estadual concorrendo pelo Partido Liberal. Foi a primeira mulher a participar do processo constituinte no estado de Santa Catarina e foi eleita deputada estadual com 35.484 votos. Atuou como parlamentar até o ano de 1937 quando o então presidente Vargas determinou o fechamento do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas.
Retornou à política em 1948, como primeira suplente convocada à Assembléia Legislativa, atuando pelo Partido Social Democrático. Defendeu os professores e a implantação de concursos públicos para a categoria; apresentou projetos para a escolha de diretores de escolas e que propõe bolsas escolares para os cursos superiores.
Antonieta de Barros faleceu no dia 18 de março de 1952, aos 51 anos. E assim como sua irmã, a professora Leonor de Barros, empresta seu nome para Escolas e logradouros públicos. Chama-se também Antonieta de Barros, o túnel de Florianópolis e a medalha concedida anualmente pela Assembléia Legislativa a mulheres com relevantes serviços prestados em defesa dos diretos da mulher catarinense.
Por Oscar Henrique Cardoso, Especial para o Portal Palmares
"Toda ação requer instrumento. E o instrumento máximo da vida é a instrução... E só vive, no sentido humano da palavra, o que pensa. Os outros se movem, tão somente".
( Antonieta de Barros-1933)
Filha de Rodolfo e Catarina de Barros, Antonieta de Barros nasceu em Florianópolis, Santa Catarina em 11 de julho de 1901.De família humilde muito cedo se tornou órfã de pai. Antonieta, filha de lavadeira, foi alfabetizada com cinco anos e, ao sete foi matriculada na Escola Lauro Muller para cursar o primário. Ingressou com 17 anos no curso normal com ajuda de um influente amigo da família. Sua vocação para o magistério mobilizou-a pela criação , em sua residência, de um curso para alfabetizar crianças carentes. Denominado "Curso Particular Antonieta de Barros" funcionou de 1922 à 1964 na rua Fernando Machado, número 32, no centro de Florianópolis.
No ano de 1933, com notável conhecimento da literatura e língua portuguesa, foi nomeada professora da Escola Complementar Lauro Muller. Em 1934 foi efetivada como professora da Escola Normal Catarinense. Lecionou no Colégio Coração de Jesus e no Instituto Estadual de Educação, este último dirigiu de 1944 à 1951 quando de sua aposentadoria.
Sua atuação como jornalista inicia-se em 1922 com a fundação do jornal "A Semana". Escreveu para vários jornais e, no ano de 1937, com o pseudônimo de Maria da Ilha publicou "Farrapos de idéias" onde reúne suas crônicas.
Influente, e com idéias firmes em defesa do magistério e do direito à educação para os menos favorecidos, em 1934 apresenta seu nome para a Constituinte Estadual concorrendo pelo Partido Liberal. Foi a primeira mulher a participar do processo constituinte no estado de Santa Catarina e foi eleita deputada estadual com 35.484 votos. Atuou como parlamentar até o ano de 1937 quando o então presidente Vargas determinou o fechamento do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas.
Retornou à política em 1948, como primeira suplente convocada à Assembléia Legislativa, atuando pelo Partido Social Democrático. Defendeu os professores e a implantação de concursos públicos para a categoria; apresentou projetos para a escolha de diretores de escolas e que propõe bolsas escolares para os cursos superiores.
Antonieta de Barros faleceu no dia 18 de março de 1952, aos 51 anos. E assim como sua irmã, a professora Leonor de Barros, empresta seu nome para Escolas e logradouros públicos. Chama-se também Antonieta de Barros, o túnel de Florianópolis e a medalha concedida anualmente pela Assembléia Legislativa a mulheres com relevantes serviços prestados em defesa dos diretos da mulher catarinense.
Por Oscar Henrique Cardoso, Especial para o Portal Palmares
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