DIRETO DO MERCADO E CULTURA
Por Leonardo Brant
Regulação da mídia é o tema da vez. Aparece-nos às vezes sob ameaça de censura, necessidade de controle social, urgência em democratizar os meios de comunicação. O problema é antigo no Brasil. E sua solução depende de destrincharmos uma série de questões mal resolvidas em nossa recente democracia. Acima de tudo, é preciso compreender o processo de transformação e convergência que os sistemas de comunicação, público e privado, sofrem no país e no mundo. O que o transforma cada vez mais em uma questão cultural: de cidadania, diversidade e democracia.
Sem a pretensão de esgotar o assunto, tentarei elencar aqui algumas dessas dimensões, que compõem um emaranhado de difícil compreensão e resolução:
Política e religião – Todos sabemos como se construiu o poder da Rede Globo no país, financiada pela ditadura (e depois pelos governos democráticos) e amparada por uma rede de oligarcas, sobretudo no nordeste de Sarney, Collor e companhia limitada, unindo poder político com presença midiática. Não podemos deixar de acrescentar nesse caldeirão o poder acumulado do Bispo Macedo e sua Igreja Universal com a TV Record. O desvínculo da radiofusão do poder político e religioso são questões urgentes em nossa sociedade.
Patrocínio estatal – O Estado é o principal patrocinador da radiofusão, com anúncios, projetos especiais e empréstimos subsidiados. É preciso haver critério e transparência em relação ao investimento estatal, para impedir a barganha entre governos e os veículos de comunicação, e a consequente manipulação da opinião pública. Essas duas primeiras questões implicam, de saída, o governo e o Congresso, o que torna o desafio mais difícil. A única saída para isso seria uma grande mobilização popular, como no caso do ficha-limpa.
Concentração – O cruzamento das mídias permite que grupos detentores de grandes conglomerados de comunicação ampliem de forma desproporcional sua presença midiática, com TV, rádio, revista, jornal, internet. É preciso garantir igualdade de condições para quem faz comunicação social no país. O sistema de produção brasileiro permite que uma rede de televisão produza e distribua todo o seu conteúdo, dominando a cadeia produtiva por completo. Precisamos ampliar a presença da produção independente, sobretudo regional, na programação dos veículos de massa.
Diversidade – O combate à cultura homogênea global, difundida pelos seis grandes conglomerados de mídia (as chamadas majors), que congregam estúdios de Hollywood, cadeias de TV internecionais, jornais, rádios, revistas, indústria fonogrática e de entretenimento, infraestrutura de cabo, satélite e portais de Internet, é uma das questões mais importantes das sociedades contemporâneas. Fortalecendo as indústrias culturais locais, como a Rede Globo e a Record, fortalecemos a cultura nacional. Mas temos de levar em conta que isso resultaria em distúrbios internos relacionados à diversidade regional, como já vimos. Por outro lado, a defesa do nacional frente ao global é uma questão delicada e pode ameaçar a própria diversidade.
Convergência – Os conteúdos culturais ocupam as mais diferentes telas, redes e suportes, de TVs a aparelhos móveis individuais, como tablets e smartphones. As empresas de telefonia já são consideradas grandes agentes difusores de conteúdo, embora sua participação nesse mercado não esteja regulmentada. O desafio aqui é reunir mercados totalmente diferentes em torno de uma regulação única, já que estamos falando de setores tão diferentes quanto TV aberta (analógica e digital), por assinatura, telefonia e Internet, que pode ser alcançada por cabo, eletricidade e por ondas eletromagnéticas – cada infraestrutura com sua regulação própria, que não prevê a difusão de conteúdos.
Propriedade Intelectual – A cultura da convergência é caracterizada pelo livre compartilhamento de conteúdos digitais, um descumprimento tácito e consentido (até mesmo pela falta de meios) da atual legislação de direito autoral, que precisa encontrar um equilíbrio entre a cultura livre e a subsistência de artistas e provedores de conteúdo. Para termos uma ideia da complexidade deste assunto, chegamos em um estágio em que o próprio conceito de autor precisa ser rediscutido e talvez revisto, diante das milhares de possibilidades de cocriação geradas pela enorme transformação do mundo digital.
Neutralidade - Por mais que o ambiente da Internet seja regulamentado aqui ou acolá (países como França e Espanha recrudeceram suas legislações cibernéticas), torna-se impossível controlar e regular os conteúdos provenientes dos mais diversos pontos de emissão e recepção digitais. Além de possibilitar maior diversidade de temas e conteúdos, devemos contar com a forte presença dos conglomerados de mídia, previamente estabelecidos no imaginário público, devido ao cruzamento e concentração, como já vimos. O poderio político, através de lobbies e rede de influências, presentes na política internacional e no ambiente político interno, não pode ser ignorado (vide matéria de Carlos Minuano sobre o avanço da Lei Azeredo no Congresso).
Cidadania – Há uma sobreposição entre a democracia representativa, que elege representantes para o Congresso e para o Executivo, e a democracia direta, que rege a participação de cidadãos comuns em Conferências de comunicação e cultura, e também em consultas públicas. A pauta da democratização dos meios foi construída nesses ambientes, com forte presença estatal, não somente na pauta e direcionamento dos temas, mas também na metodologia e no processo de conclusão e definição dos relatórios finais, o que coloca em xeque a legitimidade desse que pode ser o grande instrumento de participação democrática e cidadã no país. A regulamentação da mídia também passa por um maior distanciamento do governo federal nesse processo.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
O Show!
Por: Beto Ramos
Carlinhos Maracanã e A Fina Flor do Samba
Então, fechei os olhos e vi em minha viagem de muitas cores um imenso Quilombo onde a liberdade nascia do sorriso negro da nossa felicidade.
Ali estávamos abençoados pelas mãos da escrava Anastácia.
Minha viagem foi longa.
Vi o brilho nos olhos de Zumbi ao lado Martin Luther King.
Tia Ciata que foi Lyakekerê, também sorria como se estivesse no terreiro de João Alabá.
Vi o Babá em pé atrás do Oscar “só sucesso”.
O neguinho Orlando parecia estar no Estácio.
Gostaria de não mais abrir os olhos.
A felicidade é um vento forte que balança as árvores do Mocambo, Triângulo e onde existir um grito de liberdade de todas as almas.
Passando como um raio, vi nesta minha viagem cheia de cores, Jessé Owens e Ademar Ferreira da Silva.
O reverendo Antônio Olimpio Sant’Ana também veio abençoar o nosso lindo Quilombo no meio do nosso centro histórico.
Em pé na porta dos nossos sonhos estava o Bubu ao lado do Dada.
E vi os capoeiras lado a lado com muitos sambistas.
Olha o Cartola junto com Jamelão.
Então, vi uma mulher branca com alma de negra sorrindo.
O Lorde também passou na esquina dos nossos sonhos culturais.
Bem perto de mim ouvi aquela voz inconfundível.
Carlinhos Maracanã.
Incorporando todos os negros da história, o Maracanã simplesmente cantou.
Um sorriso negro para dona Cristina.
Cristina Esposa Carlinhos Maracanã
Até Machado de Assis esteve sentado na Praça Getúlio Vargas.
Nos acordes que encantaram os Deuses negros que ficam em nossas almas,
Pixinguinha sorriu para o Maracanã.
Mas, o show era seu meu amigo.
Como uma Fênix, você ressurgiu com João Nogueira, Paulinho da Viola e o sorriso de dona Cristina.
O nosso lindo Quilombo é bem mais feliz quando todos sorriem.
Deixe o seu canto ecoar pelo ar.
O homem pode sonhar quando sua alma é de menino.
E o sonho de menino é crescer e ganhar o mundo.
Todos os negros, de todos os tempos, de todas as horas, estão no seu sorriso.
Cante e encante.
Perdoe-me se algumas vezes tentei te preservar dentro da nossa história.
Mas, como dizia minha avó, somos aves de arribada.
O nosso ninho é o mundo.
E o nosso mundo é um copo de cerveja, um bom papo, com os amigos, pela madrugada da nossa alegria.
Jamais poderíamos ser a maioria silenciosa.
Gostaria tanto de ter uma Chica da Silva entre nós.
A rainha do imaginário popular seria com certeza um tipo de mecenas na proteção dos artistas de todas as cores.
Em minha viagem cheia de cores precisei abrir os olhos.
Para o deleite de minhas retinas, vi o doce beijo do Carlinhos Maracanã em sua amiga e companheira Cristina.
O samba é amor.
Então, nos encontraremos no Café Com Arte, batendo um papo cabeça de negro, cheio de reza forte para espantar as mandingas de quem não gosta de samba e bom sujeito com certeza não é.
Com a mão no queixo, Martinho da Vila dizia esse é o cara.
E Cruz e Souza concordava com o Martinho.
A maior embriaguez da vida de um homem é a sua felicidade e a dos amigos que tanto querem o seu bem.
Isso é o despertar da liberdade de todos nós.
Diz a lenda!
Carlinhos Maracanã e A Fina Flor do Samba
Então, fechei os olhos e vi em minha viagem de muitas cores um imenso Quilombo onde a liberdade nascia do sorriso negro da nossa felicidade.
Ali estávamos abençoados pelas mãos da escrava Anastácia.
Minha viagem foi longa.
Vi o brilho nos olhos de Zumbi ao lado Martin Luther King.
Tia Ciata que foi Lyakekerê, também sorria como se estivesse no terreiro de João Alabá.
Vi o Babá em pé atrás do Oscar “só sucesso”.
O neguinho Orlando parecia estar no Estácio.
Gostaria de não mais abrir os olhos.
A felicidade é um vento forte que balança as árvores do Mocambo, Triângulo e onde existir um grito de liberdade de todas as almas.
Passando como um raio, vi nesta minha viagem cheia de cores, Jessé Owens e Ademar Ferreira da Silva.
O reverendo Antônio Olimpio Sant’Ana também veio abençoar o nosso lindo Quilombo no meio do nosso centro histórico.
Em pé na porta dos nossos sonhos estava o Bubu ao lado do Dada.
E vi os capoeiras lado a lado com muitos sambistas.
Olha o Cartola junto com Jamelão.
Então, vi uma mulher branca com alma de negra sorrindo.
O Lorde também passou na esquina dos nossos sonhos culturais.
Bem perto de mim ouvi aquela voz inconfundível.
Carlinhos Maracanã.
Incorporando todos os negros da história, o Maracanã simplesmente cantou.
Um sorriso negro para dona Cristina.
Cristina Esposa Carlinhos Maracanã
Até Machado de Assis esteve sentado na Praça Getúlio Vargas.
Nos acordes que encantaram os Deuses negros que ficam em nossas almas,
Pixinguinha sorriu para o Maracanã.
Mas, o show era seu meu amigo.
Como uma Fênix, você ressurgiu com João Nogueira, Paulinho da Viola e o sorriso de dona Cristina.
O nosso lindo Quilombo é bem mais feliz quando todos sorriem.
Deixe o seu canto ecoar pelo ar.
O homem pode sonhar quando sua alma é de menino.
E o sonho de menino é crescer e ganhar o mundo.
Todos os negros, de todos os tempos, de todas as horas, estão no seu sorriso.
Cante e encante.
Perdoe-me se algumas vezes tentei te preservar dentro da nossa história.
Mas, como dizia minha avó, somos aves de arribada.
O nosso ninho é o mundo.
E o nosso mundo é um copo de cerveja, um bom papo, com os amigos, pela madrugada da nossa alegria.
Jamais poderíamos ser a maioria silenciosa.
Gostaria tanto de ter uma Chica da Silva entre nós.
A rainha do imaginário popular seria com certeza um tipo de mecenas na proteção dos artistas de todas as cores.
Em minha viagem cheia de cores precisei abrir os olhos.
Para o deleite de minhas retinas, vi o doce beijo do Carlinhos Maracanã em sua amiga e companheira Cristina.
O samba é amor.
Então, nos encontraremos no Café Com Arte, batendo um papo cabeça de negro, cheio de reza forte para espantar as mandingas de quem não gosta de samba e bom sujeito com certeza não é.
Com a mão no queixo, Martinho da Vila dizia esse é o cara.
E Cruz e Souza concordava com o Martinho.
A maior embriaguez da vida de um homem é a sua felicidade e a dos amigos que tanto querem o seu bem.
Isso é o despertar da liberdade de todos nós.
Diz a lenda!
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Novembro Mês da Consciência Negra
SHOW
O canto do Carlinhos Maracanã
Por Silvio M. Santos
O show musical “Quando eu Canto”, apresentado pelo compositor e agitador cultural João Carlos Alves popularmente conhecido como Carlinhos Maracanã na noite da última sexta feira 19, durante a realização de mais um módulo do projeto A Fina Flor do Samba no Mercado Cultural, foi dos melhores já apresentados dentro do Projeto coordenado pelo compositor Ernesto Melo.
Concentrado como se fora um jogador de futebol em dia de decisão, Carlinhos Maracanã desde a boca da noite, sentado em uma das mesas do Café com Arte da dona Almira lia, relia e cantarolava o repertório ensaiado com os músicos da Fina Flor na quarta feira. O nervosismo era evidente, apesar da experiência de mais de 30 anos como músico. “O frio na barriga sempre aparece nessas horas”. Dona Cristina esposa e musa do cantor não saia do seu lado, ora ajeitando o colar do guia espiritual, ora tirando algum cisco da roupa toda branca ou ajeitando a boina na cabeça de Carlinhos.
Oscar Knight mestre cerimônia do Projeto, de vez em quando anunciava o show “Quando eu Canto” com Carlinhos Maracanã de modo que a platéia já estava ansiosa, pois “deu” dez horas da noite e nada do show começar. Ernesto anunciou a participação do Bainha, seguido de Silvio Santos, e dos irmãos Coimbra de Pururucu. Entoou o hino de Rondônia após cantar Porto Velho Meu Dengo e aproveitou a oportunidade para convidar Carlinhos Maracanã, isso já era quase meia noite.
Lá de dentro do mercado Carlinhos soltou o vozeirão: “Quando eu canto é para aliviar meu pranto...” acompanhado apenas pelo tamborim do Oscar. O pessoal da harmonia ficou preocupado. “Ele começou num tom muito alto, não foi isso que ensaiamos”. Mas, como só o músico sabe desses detalhes, quando Carlinhos fez sinal para a “orquestra” entrar, deu tudo certinho como o combinado.
O show fluiu numa viagem que Carlinhos denominou de três estações. A primeira passava pela estação Palmares, uma homenagem a Zumbi pelo dia da Consciência Negra; parou na estação Paixão e homenageou as mulheres, em especial, dona Cristina. Uma pausa para molhar a garganta (por incrível que possa parecer, com água mineral), e chegou à estação Saudade. Saudade de deixar saudades do maravilhoso espetáculo musical que o Carlinhos Maracanã nos proporcionou.
Que o canto do Carlinhos Maracanã continue ecoando pelas ruas do centro histórico da nossa Porto Velho. Valeu Zumbi!
O canto do Carlinhos Maracanã
Por Silvio M. Santos
O show musical “Quando eu Canto”, apresentado pelo compositor e agitador cultural João Carlos Alves popularmente conhecido como Carlinhos Maracanã na noite da última sexta feira 19, durante a realização de mais um módulo do projeto A Fina Flor do Samba no Mercado Cultural, foi dos melhores já apresentados dentro do Projeto coordenado pelo compositor Ernesto Melo.
Concentrado como se fora um jogador de futebol em dia de decisão, Carlinhos Maracanã desde a boca da noite, sentado em uma das mesas do Café com Arte da dona Almira lia, relia e cantarolava o repertório ensaiado com os músicos da Fina Flor na quarta feira. O nervosismo era evidente, apesar da experiência de mais de 30 anos como músico. “O frio na barriga sempre aparece nessas horas”. Dona Cristina esposa e musa do cantor não saia do seu lado, ora ajeitando o colar do guia espiritual, ora tirando algum cisco da roupa toda branca ou ajeitando a boina na cabeça de Carlinhos.
Oscar Knight mestre cerimônia do Projeto, de vez em quando anunciava o show “Quando eu Canto” com Carlinhos Maracanã de modo que a platéia já estava ansiosa, pois “deu” dez horas da noite e nada do show começar. Ernesto anunciou a participação do Bainha, seguido de Silvio Santos, e dos irmãos Coimbra de Pururucu. Entoou o hino de Rondônia após cantar Porto Velho Meu Dengo e aproveitou a oportunidade para convidar Carlinhos Maracanã, isso já era quase meia noite.
Lá de dentro do mercado Carlinhos soltou o vozeirão: “Quando eu canto é para aliviar meu pranto...” acompanhado apenas pelo tamborim do Oscar. O pessoal da harmonia ficou preocupado. “Ele começou num tom muito alto, não foi isso que ensaiamos”. Mas, como só o músico sabe desses detalhes, quando Carlinhos fez sinal para a “orquestra” entrar, deu tudo certinho como o combinado.
O show fluiu numa viagem que Carlinhos denominou de três estações. A primeira passava pela estação Palmares, uma homenagem a Zumbi pelo dia da Consciência Negra; parou na estação Paixão e homenageou as mulheres, em especial, dona Cristina. Uma pausa para molhar a garganta (por incrível que possa parecer, com água mineral), e chegou à estação Saudade. Saudade de deixar saudades do maravilhoso espetáculo musical que o Carlinhos Maracanã nos proporcionou.
Que o canto do Carlinhos Maracanã continue ecoando pelas ruas do centro histórico da nossa Porto Velho. Valeu Zumbi!
FALANDO DE CULTURA !!!
POLÍTICA CULTURAL
Em 180 dias após a sanção do Plano Nacional de Cultura (PNC) pelo presidente da República, o Ministério da Cultura deverá estabelecer metas para implementação de seus objetivos. Nesse mesmo prazo, o MinC deverá criar o Conselho e a coordenação-executiva do plano.
A principal ferramenta de acompanhamento metas estipuladas pelo Ministério da Cultura após a promulgação do PNC será o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC).
O SNIIC já está em desenvolvimento tecnológico e será uma ampla base de dados e indicadores culturais, que abrangerá informações sobre equipamentos culturais, grupos artísticos, órgãos gestores da cultura, conselhos municipais, editais, sobre a economia da cultura, estudos e pesquisas sobre o setor cultural, entre outros.
A plataforma será essencial ao compartilhamento de informações da cultura entre os governos federal, estadual e municipal e o setor privado. Também irá gerar indicadores da gestão pública, permitindo o conhecimento e a interação da sociedade civil com as ações e políticas.
O Plano Nacional é uma diretriz a ser seguida pelos estados e municípios para criarem seus próprios planos de cultura. A adesão, porém, não é automática ou obrigatória. O MinC irá criar protocolos de adesão para esses entes federativos e então subsidiar com consultoria técnica e apoio orçamentário a elaboração desses planos.
As linguagens artísticas também irão elaborar planos para seus setores. Os colegiados setoriais ligados ao Conselho Nacional de Política Cultural os responsáveis por isso. Música, Teatro, Dança, Circo, Museus, Culturas Populares e Culturas Indígenas já têm planos.
Os 13 princípios do PNC são:
- Liberdade de expressão, criação e fruição
- Diversidade cultural
- Respeito aos direitos humanos
- Direito de todos à arte e à cultura
- Direito à informação, à comunicação e à crítica cultural
- Direito à memória e às tradições
- Responsabilidade socioambiental
- Valorização da cultura como vetor do desenvolvimento sustentável
- Democratização das instâncias de formulação das políticas culturais
- Responsabilidade dos agentes públicos pela implementação das políticas culturais
- Colaboração entre agentes públicos e privados para o desenvolvimento da economia da cultura
- Participação e controle social na formulação e acompanhamento das políticas culturais
São objetivos do Plano Nacional de Cultura:
I – reconhecer e valorizar a diversidade cultural, étnica e regional brasileira;
II – proteger e promover o patrimônio histórico e artístico, material e imaterial;
III – valorizar e difundir as criações artísticas e os bens culturais;
IV – promover o direito à memória por meio dos museus, arquivos e coleções;
V – universalizar o acesso à arte e à cultura;
VI – estimular a presença da arte e da cultura no ambiente educacional; VII – estimular o pensamento crítico e reflexivo em torno dos valores simbólicos;
VIII – estimular a sustentabilidade socioambiental;
IX – desenvolver a economia da cultura, o mercado interno, o consumo cultural e a exportação de bens, serviços e conteúdos culturais;
X – reconhecer os saberes, conhecimentos e expressões tradicionais e os direitos de seus detentores;
XI – qualificar a gestão na área cultural nos setores público e privado;
XII – profissionalizar e especializar os agentes e gestores culturais;
XIII – descentralizar a implementação das políticas públicas de cultura;
XIV – consolidar processos de consulta e participação da sociedade na formulação das políticas culturais;
XV – ampliar a presença e o intercâmbio da cultura brasileira no mundo contemporâneo;
XVI – articular e integrar sistemas de gestão cultural.
Leia mais: http://blogs.cultura.gov.br/pnc/
Fonte: MinC/ABD/RO
Em 180 dias após a sanção do Plano Nacional de Cultura (PNC) pelo presidente da República, o Ministério da Cultura deverá estabelecer metas para implementação de seus objetivos. Nesse mesmo prazo, o MinC deverá criar o Conselho e a coordenação-executiva do plano.
A principal ferramenta de acompanhamento metas estipuladas pelo Ministério da Cultura após a promulgação do PNC será o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC).
O SNIIC já está em desenvolvimento tecnológico e será uma ampla base de dados e indicadores culturais, que abrangerá informações sobre equipamentos culturais, grupos artísticos, órgãos gestores da cultura, conselhos municipais, editais, sobre a economia da cultura, estudos e pesquisas sobre o setor cultural, entre outros.
A plataforma será essencial ao compartilhamento de informações da cultura entre os governos federal, estadual e municipal e o setor privado. Também irá gerar indicadores da gestão pública, permitindo o conhecimento e a interação da sociedade civil com as ações e políticas.
O Plano Nacional é uma diretriz a ser seguida pelos estados e municípios para criarem seus próprios planos de cultura. A adesão, porém, não é automática ou obrigatória. O MinC irá criar protocolos de adesão para esses entes federativos e então subsidiar com consultoria técnica e apoio orçamentário a elaboração desses planos.
As linguagens artísticas também irão elaborar planos para seus setores. Os colegiados setoriais ligados ao Conselho Nacional de Política Cultural os responsáveis por isso. Música, Teatro, Dança, Circo, Museus, Culturas Populares e Culturas Indígenas já têm planos.
Os 13 princípios do PNC são:
- Liberdade de expressão, criação e fruição
- Diversidade cultural
- Respeito aos direitos humanos
- Direito de todos à arte e à cultura
- Direito à informação, à comunicação e à crítica cultural
- Direito à memória e às tradições
- Responsabilidade socioambiental
- Valorização da cultura como vetor do desenvolvimento sustentável
- Democratização das instâncias de formulação das políticas culturais
- Responsabilidade dos agentes públicos pela implementação das políticas culturais
- Colaboração entre agentes públicos e privados para o desenvolvimento da economia da cultura
- Participação e controle social na formulação e acompanhamento das políticas culturais
São objetivos do Plano Nacional de Cultura:
I – reconhecer e valorizar a diversidade cultural, étnica e regional brasileira;
II – proteger e promover o patrimônio histórico e artístico, material e imaterial;
III – valorizar e difundir as criações artísticas e os bens culturais;
IV – promover o direito à memória por meio dos museus, arquivos e coleções;
V – universalizar o acesso à arte e à cultura;
VI – estimular a presença da arte e da cultura no ambiente educacional; VII – estimular o pensamento crítico e reflexivo em torno dos valores simbólicos;
VIII – estimular a sustentabilidade socioambiental;
IX – desenvolver a economia da cultura, o mercado interno, o consumo cultural e a exportação de bens, serviços e conteúdos culturais;
X – reconhecer os saberes, conhecimentos e expressões tradicionais e os direitos de seus detentores;
XI – qualificar a gestão na área cultural nos setores público e privado;
XII – profissionalizar e especializar os agentes e gestores culturais;
XIII – descentralizar a implementação das políticas públicas de cultura;
XIV – consolidar processos de consulta e participação da sociedade na formulação das políticas culturais;
XV – ampliar a presença e o intercâmbio da cultura brasileira no mundo contemporâneo;
XVI – articular e integrar sistemas de gestão cultural.
Leia mais: http://blogs.cultura.gov.br/pnc/
Fonte: MinC/ABD/RO
A FELICIDADE NA VISÃO DO POETA
FELICIDADE REALISTA
A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Mário Quintana
A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Mário Quintana
domingo, 21 de novembro de 2010
NOSSA HISTÓRIA
CULTURA DE CABARÉ
ATABÍLIO FERREIRA BINDÁ
- um anônimo senhor dos cabarés -
Por: Altair Santos (Tatá)
À luz do texto: Cabaré Também é Cultura
De: Anísio Gorayeb e Antonio Serpa do Amaral (Basinho)
O amigo Basinho, nascido Antonio Serpa do Amaral, sempre abre a maleta da sua inquieta verve criativa, analítica e produtiva e nos chama para a prosa. Fazendo reverberar o texto do também versado amigo Anísio Gorayeb, o Serpa escreveu há uns três meses ou mais, na página diária da cidade, o artigo Cabaré Também é Cultura o fazendo com a naturalidade e lirismo de quem caprichosamente, bebesse uma cerveja bem gelada, tal qual aquelas servidas, como de praxe, lá dos lupanares - pelo menos nos de outrora. Sem ater-se a tantos detalhes, mas com riqueza de citações, discorreu sobre a histórica e sociológica existência dos gloriosos cabarés no cotidiano de Porto Velho, fazendo emergir fatos dados e passados, trazendo para cena o colorido, o festivo, o intrigante, o contestado, o fantasioso e arrebatador universo do cabaré nosso de cada dia. Aqui nessas paragens do poente, o cabaré também se fez e se faz braço social, com tudo o que teve ou tem direito, ou seja, da glória, prazer e fama de muitos, ao infortúnio e desassossego de outros principalmente de algumas mulheres casadas, cujos maridos, viravam vaga-lumes e brilhavam nos salões secretos (nem tanto) da orgia portovelhense. Quando descobertos ou dedurados, os pirilampos de aliança no anelar esquerdo justificavam: são as evidencias e movimentos naturais de uma sociedade em seus ciclos. Na boêmia e pacata Porto Velho dos idos de 50, 60 e 70 os cabarés compunham o painel diário da nossa jovem urbe, fazendo a festa e alegria de muitos. Nesses verdadeiros paraísos do prazer e da gastança, desfilavam empresários endinheirados, profissionais liberais, sambistas e seresteiros, poetas e aventureiros, muito ou pouco capitalizados. Comum entre todos, era o democrático exercício dos seus direitos (nos tempos da ditadura) de se alistarem e portarem-se atuantes fervorosos na confraria dos infaltáveis do cabaré. E eles eram aos muitos. Nômades e notáveis, cada qual com suas posses e poses em meio à fragâncias importadas e sob o lume irresistível de beldades caboclas dessas barrancas amazônicas e de outras raparigas não menos formosas e amáveis dos muitos longes desse Brasil de Meu Deus que, por aqui, desfilavam e exibiam seus encantos e gracejos. Curiosos e engraçados ocorridos, sempre habitaram a coleção de pormenores da atribulada vida dos habituês cabareanos daqui. Um senhor de nome Atabílio Ferreira Bindá (meu padrinho), pescador, vindo de Codajás - Amazonas, aqui se fez um exímio garimpeiro do ciclo da cassiterita e se abancou por essas bandas karipunas. Na lavra gastou muito de sua força e juventude, extraindo minério pesado dos garimpos massangana e jacundá. Sempre que vinha para a cidade, aportava em nossa casa no Bairro do Triângulo (na linha de ferro), defronte a placa 1, para estadas de 10 a 15 dias, ou melhor, por quanto tempo durasse as suas fartas economias, as quais gastava sem dó e sem piedade, em deleites nas coloridas tardes/noites e madrugadas a fio, em luz tênue, na privacidade dos cabarés do centro. Ao ensejo de sua chegada, a providência primeira era aquele banho de loja no movimentado comércio da Rua do Coqueiro pra renovar o guarda-roupa, este, exaustivamente surrado nas catas, ou seja, nas escavações para garimpagem. Em meio às compras de eletro-eletrônicos, roupas e sapatos, óculos, discos (lp’s de vinil), eram inevitáveis as frequentes idas aos botecos da redondeza para sucessivos tragos de cachaça. Quando pra aliviar, tomava uma cerveja. Na volta às compras, já com a cabeça em plano de desordem etílica, parava numa das barbearias para as providências dos esteticistas capilares da época, os barbeiros. Certa ocasião, sob efeito de muita bebida forte, sentou-se na cadeira pra fazer cabelo, barba e bigode e, em meio à sessão do trato na vaidade e no look, recostou a cabeça num dos ombros e pesadamente dormiu. Quando acordou, já noitinha, o paciente operário da beleza (o barbeiro) ainda o esperava pra virar de lado e raspar a barba da face oposta. Enfezado e de ressaca, assustou-se com o avançado da hora, teve pressa e pediu agilidade e qualidade na complementação do serviço, afinal, logo mais, estaria a bordo dos seus paramentos entrecortando o epicentro do prazer no coração da cidade - entre um cabaré e outro – mais precisamente na mui-requisitada tríade de “casas de apoio” da Maria Eunice, Madame Elvira (tartaruga) e Tambaqui de Ouro, os ancoradouros preferidos do Atabílio durante a noite. Moreno alto, forte, conversador, afamado “comedor”, bebedor de cachaça e cerveja, afeito aos desperdícios exibicionistas, além de deitar-se, enchia as putas de mimos como jóias, perfumes, roupas e generosas quantias em dinheiro. Atabílio, cujo apelido era “jagunço” o que fazia contraponto à sua personalidade e desdizia o seu estilo alegre e fanfarrão, sempre se apresentava cheirando a bebida porém, amenizado por mil borrifadas de sete bruxas ou almíscar, dentre outros perfumes comprados ou contrabandeados da Bolívia. O moço chamava a atenção pelo seu atraente plano estético, quase dois metros de altura, em cujo visual se destacava certos ornamentos como: um reluzente dente de ouro, um enorme chapéu preto (de massa), camisa colorida de seda, calça preta de linho e sapato de verniz. Não era só. Dentre os badulaques constavam também grossas correntes - de ouro é claro - exagerados pingentes com batéias e picaretas esculpidas também no valioso metal, como a simbolizar o brasão da atividade profissional exercida (garimpeiro), um baita relógio Seiko 5 a prova d’água - pra variar coberto de ouro - além de anéis em tudo que é dedo. O exotismo visual do Atabílio, afinado para a época, trazia de quebra, um potente rádio marca phillips transglobe de 12 faixas, carregado no ombro pelas ruas e praças, em alto volume e sintonizado na Rádio Caiari de Porto Velho, ou na Rádio Rio Mar de Manaus, suas emissoras preferidas, ainda mais, quando essas tocavam repetidamente os sucessos dos seus artistas queridos, o Waldick Soriano e a Claudia Barroso. Os seus ídolos cantavam os melosos hits românticos de então. Fazendo tipo romântico Atabílio quase ia às lágrimas quando ouviao baiano Waldick cantar: “amigo se essa cartinha falasse, pra dizer àquela ingrata, como está meu coração, vou ficar aqui chorando pois um homem quando chora, tem no peio uma paixâo.” No esporte se dizia botafoguense, por influência do seu compadre (Ademar, o meu pai), mas quando perguntado, só lembrava do Garrincha, do goleiro Manga e do jovem promissor Jairzinho, mais tarde o furacão do tri, na copa de 70 no México. Muito raro, o costumeiro dos cabarés parava em casa para momentos de repouso, acho que isso ele fazia, lá mesmo, nos lupanares, sob os carinhos e jeitosos afagos das meninas. Porém nas poucas horas que ficava em nossa residência, enchia as mesas de presentes, comidas, doces e guaranás pra molecada. Depois, ia pro terreiro armava a vitrola de pilhas, pegava os lp’s e tome cachaça, cerveja e overdoses de Claudia Barroso e doses cavalares de Waldik Soriano no quengo. Pra ficar mais brega-eclético o repertório, ele variava as seleções com Evaldo Braga (ainda jovem na carreira), Ludugero, Marinês e sua Gente e até as piadas do humorista Barnabé, o que lhe roubava sessões de alto, escandaloso e demorado riso. Antes mesmo do arrebol a festa acabava. Ao cair da tarde, os primeiros poucos lampiões da cidade porto arrebatavam Atabílio. Logo se ia o peregrino do prazer para a sua incursão noturna. Tragado pelos sedutores mantras da noite, dobraria as esquinas, sumiria das vistas e perder-se-ia sabe-se lá em quantos e quais braços, aos preços de algumas tantas notas da moeda nacional da época, o cruzeiro talvez! Contrapondo-se ao visual estilizado e poderio econômico dos mineradores abastados da região, Atabílio, o garimpeiro artesanal, varava noites gastando nos cabarés e quando a bufunfa minguava, de táxi, ele fazia sucessivas idas na madrugada, em nossa casa, para acordar minha mãe - a quem confiava a guarda de todo o seu dinheiro - com o intuito de fazer saques seqüenciais, como fosse, a mamãe (dona Luzia), uma precursora dos caixas 24 horas, ali pronta para atendê-lo, durante a madrugada, sem sair do ar. Nessas idas e vindas, não somente reforçava o bolso como, rapidamente, trocava uma roupa nova e se perfumava todo. Estava pronto pra sua sina boêmia pelos cabarés, até que o sono ou o alvorecer lhe desse cartão vermelho. Não tinha muitos amigos e nem costumava reunir muita gente. Parecia um turista em férias na cidade. A sua realidade comum se dividia entre meses de trabalho no garimpo com interstícios de farras nos cabarés de Porto Velho. Anos mais tarde recebeu o recado de uma irmã sua da capital baré e, com a atividade garimpeira já em baixa, foi pro Cai N’Água, pegou um barco, rumou pro Amazonas e nunca mais deu notícias.
(*) o autor é Presidente da Fundação Cultural Iaripuna e músico.
tatadeportovelho@gmail.com
ATABÍLIO FERREIRA BINDÁ
- um anônimo senhor dos cabarés -
Por: Altair Santos (Tatá)
À luz do texto: Cabaré Também é Cultura
De: Anísio Gorayeb e Antonio Serpa do Amaral (Basinho)
O amigo Basinho, nascido Antonio Serpa do Amaral, sempre abre a maleta da sua inquieta verve criativa, analítica e produtiva e nos chama para a prosa. Fazendo reverberar o texto do também versado amigo Anísio Gorayeb, o Serpa escreveu há uns três meses ou mais, na página diária da cidade, o artigo Cabaré Também é Cultura o fazendo com a naturalidade e lirismo de quem caprichosamente, bebesse uma cerveja bem gelada, tal qual aquelas servidas, como de praxe, lá dos lupanares - pelo menos nos de outrora. Sem ater-se a tantos detalhes, mas com riqueza de citações, discorreu sobre a histórica e sociológica existência dos gloriosos cabarés no cotidiano de Porto Velho, fazendo emergir fatos dados e passados, trazendo para cena o colorido, o festivo, o intrigante, o contestado, o fantasioso e arrebatador universo do cabaré nosso de cada dia. Aqui nessas paragens do poente, o cabaré também se fez e se faz braço social, com tudo o que teve ou tem direito, ou seja, da glória, prazer e fama de muitos, ao infortúnio e desassossego de outros principalmente de algumas mulheres casadas, cujos maridos, viravam vaga-lumes e brilhavam nos salões secretos (nem tanto) da orgia portovelhense. Quando descobertos ou dedurados, os pirilampos de aliança no anelar esquerdo justificavam: são as evidencias e movimentos naturais de uma sociedade em seus ciclos. Na boêmia e pacata Porto Velho dos idos de 50, 60 e 70 os cabarés compunham o painel diário da nossa jovem urbe, fazendo a festa e alegria de muitos. Nesses verdadeiros paraísos do prazer e da gastança, desfilavam empresários endinheirados, profissionais liberais, sambistas e seresteiros, poetas e aventureiros, muito ou pouco capitalizados. Comum entre todos, era o democrático exercício dos seus direitos (nos tempos da ditadura) de se alistarem e portarem-se atuantes fervorosos na confraria dos infaltáveis do cabaré. E eles eram aos muitos. Nômades e notáveis, cada qual com suas posses e poses em meio à fragâncias importadas e sob o lume irresistível de beldades caboclas dessas barrancas amazônicas e de outras raparigas não menos formosas e amáveis dos muitos longes desse Brasil de Meu Deus que, por aqui, desfilavam e exibiam seus encantos e gracejos. Curiosos e engraçados ocorridos, sempre habitaram a coleção de pormenores da atribulada vida dos habituês cabareanos daqui. Um senhor de nome Atabílio Ferreira Bindá (meu padrinho), pescador, vindo de Codajás - Amazonas, aqui se fez um exímio garimpeiro do ciclo da cassiterita e se abancou por essas bandas karipunas. Na lavra gastou muito de sua força e juventude, extraindo minério pesado dos garimpos massangana e jacundá. Sempre que vinha para a cidade, aportava em nossa casa no Bairro do Triângulo (na linha de ferro), defronte a placa 1, para estadas de 10 a 15 dias, ou melhor, por quanto tempo durasse as suas fartas economias, as quais gastava sem dó e sem piedade, em deleites nas coloridas tardes/noites e madrugadas a fio, em luz tênue, na privacidade dos cabarés do centro. Ao ensejo de sua chegada, a providência primeira era aquele banho de loja no movimentado comércio da Rua do Coqueiro pra renovar o guarda-roupa, este, exaustivamente surrado nas catas, ou seja, nas escavações para garimpagem. Em meio às compras de eletro-eletrônicos, roupas e sapatos, óculos, discos (lp’s de vinil), eram inevitáveis as frequentes idas aos botecos da redondeza para sucessivos tragos de cachaça. Quando pra aliviar, tomava uma cerveja. Na volta às compras, já com a cabeça em plano de desordem etílica, parava numa das barbearias para as providências dos esteticistas capilares da época, os barbeiros. Certa ocasião, sob efeito de muita bebida forte, sentou-se na cadeira pra fazer cabelo, barba e bigode e, em meio à sessão do trato na vaidade e no look, recostou a cabeça num dos ombros e pesadamente dormiu. Quando acordou, já noitinha, o paciente operário da beleza (o barbeiro) ainda o esperava pra virar de lado e raspar a barba da face oposta. Enfezado e de ressaca, assustou-se com o avançado da hora, teve pressa e pediu agilidade e qualidade na complementação do serviço, afinal, logo mais, estaria a bordo dos seus paramentos entrecortando o epicentro do prazer no coração da cidade - entre um cabaré e outro – mais precisamente na mui-requisitada tríade de “casas de apoio” da Maria Eunice, Madame Elvira (tartaruga) e Tambaqui de Ouro, os ancoradouros preferidos do Atabílio durante a noite. Moreno alto, forte, conversador, afamado “comedor”, bebedor de cachaça e cerveja, afeito aos desperdícios exibicionistas, além de deitar-se, enchia as putas de mimos como jóias, perfumes, roupas e generosas quantias em dinheiro. Atabílio, cujo apelido era “jagunço” o que fazia contraponto à sua personalidade e desdizia o seu estilo alegre e fanfarrão, sempre se apresentava cheirando a bebida porém, amenizado por mil borrifadas de sete bruxas ou almíscar, dentre outros perfumes comprados ou contrabandeados da Bolívia. O moço chamava a atenção pelo seu atraente plano estético, quase dois metros de altura, em cujo visual se destacava certos ornamentos como: um reluzente dente de ouro, um enorme chapéu preto (de massa), camisa colorida de seda, calça preta de linho e sapato de verniz. Não era só. Dentre os badulaques constavam também grossas correntes - de ouro é claro - exagerados pingentes com batéias e picaretas esculpidas também no valioso metal, como a simbolizar o brasão da atividade profissional exercida (garimpeiro), um baita relógio Seiko 5 a prova d’água - pra variar coberto de ouro - além de anéis em tudo que é dedo. O exotismo visual do Atabílio, afinado para a época, trazia de quebra, um potente rádio marca phillips transglobe de 12 faixas, carregado no ombro pelas ruas e praças, em alto volume e sintonizado na Rádio Caiari de Porto Velho, ou na Rádio Rio Mar de Manaus, suas emissoras preferidas, ainda mais, quando essas tocavam repetidamente os sucessos dos seus artistas queridos, o Waldick Soriano e a Claudia Barroso. Os seus ídolos cantavam os melosos hits românticos de então. Fazendo tipo romântico Atabílio quase ia às lágrimas quando ouviao baiano Waldick cantar: “amigo se essa cartinha falasse, pra dizer àquela ingrata, como está meu coração, vou ficar aqui chorando pois um homem quando chora, tem no peio uma paixâo.” No esporte se dizia botafoguense, por influência do seu compadre (Ademar, o meu pai), mas quando perguntado, só lembrava do Garrincha, do goleiro Manga e do jovem promissor Jairzinho, mais tarde o furacão do tri, na copa de 70 no México. Muito raro, o costumeiro dos cabarés parava em casa para momentos de repouso, acho que isso ele fazia, lá mesmo, nos lupanares, sob os carinhos e jeitosos afagos das meninas. Porém nas poucas horas que ficava em nossa residência, enchia as mesas de presentes, comidas, doces e guaranás pra molecada. Depois, ia pro terreiro armava a vitrola de pilhas, pegava os lp’s e tome cachaça, cerveja e overdoses de Claudia Barroso e doses cavalares de Waldik Soriano no quengo. Pra ficar mais brega-eclético o repertório, ele variava as seleções com Evaldo Braga (ainda jovem na carreira), Ludugero, Marinês e sua Gente e até as piadas do humorista Barnabé, o que lhe roubava sessões de alto, escandaloso e demorado riso. Antes mesmo do arrebol a festa acabava. Ao cair da tarde, os primeiros poucos lampiões da cidade porto arrebatavam Atabílio. Logo se ia o peregrino do prazer para a sua incursão noturna. Tragado pelos sedutores mantras da noite, dobraria as esquinas, sumiria das vistas e perder-se-ia sabe-se lá em quantos e quais braços, aos preços de algumas tantas notas da moeda nacional da época, o cruzeiro talvez! Contrapondo-se ao visual estilizado e poderio econômico dos mineradores abastados da região, Atabílio, o garimpeiro artesanal, varava noites gastando nos cabarés e quando a bufunfa minguava, de táxi, ele fazia sucessivas idas na madrugada, em nossa casa, para acordar minha mãe - a quem confiava a guarda de todo o seu dinheiro - com o intuito de fazer saques seqüenciais, como fosse, a mamãe (dona Luzia), uma precursora dos caixas 24 horas, ali pronta para atendê-lo, durante a madrugada, sem sair do ar. Nessas idas e vindas, não somente reforçava o bolso como, rapidamente, trocava uma roupa nova e se perfumava todo. Estava pronto pra sua sina boêmia pelos cabarés, até que o sono ou o alvorecer lhe desse cartão vermelho. Não tinha muitos amigos e nem costumava reunir muita gente. Parecia um turista em férias na cidade. A sua realidade comum se dividia entre meses de trabalho no garimpo com interstícios de farras nos cabarés de Porto Velho. Anos mais tarde recebeu o recado de uma irmã sua da capital baré e, com a atividade garimpeira já em baixa, foi pro Cai N’Água, pegou um barco, rumou pro Amazonas e nunca mais deu notícias.
(*) o autor é Presidente da Fundação Cultural Iaripuna e músico.
tatadeportovelho@gmail.com
VALEU ZUMBI
DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Prof. Edilson Lôbo do Nascimento (professor do Departamento de Economia da UNIR)
Nesta data de 20 de novembro, é comemorado o dia Nacional da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares. Ele é considerado um ícone da resistência contra a opressão imposta aos negros escravizados no Brasil, símbolo de luta contra a injustiça a que era submetido o negro na senzala.
Zumbi teve um papel histórico importantíssimo em defesa dos direitos e da liberdade dos escravos. Lutou incansavelmente à frente do Quilombo dos Palmares em Alagoas, resistindo a todo tipo de ofensiva feita pela coroa portuguesa com o objetivo de esmagar o movimento de resistência negra. Palmares resistiu quase 100 anos. Infelizmente, no dia 20 de novembro de 1695, Zumbi foi morto numa emboscada em Pernambuco sendo seu corpo exposto em praça pública.
A morte de Zumbi não foi em vão. O seu exemplo de luta pela liberdade dos seus companheiros escravos, ecoa até hoje nas mentes e nos corações dos que não se quedam frente às injustiças, as discriminações e o desrespeito à pessoa humana.
O dia Nacional da Consciência Negra é, acima de tudo, uma chamada à reflexão. Um convite a todos a lutar por uma sociedade livre de preconceitos e socialmente justa. O legado de Zumbi dos Palmares nos impõe uma tarefa da qual não podemos nos omitir enquanto cidadãos, professores educadores, mais de que formadores de opinião, responsáveis pelas reais mudanças que a sociedade almeja. O papel que nos cabe, é de protagonistas de um saber reflexivo, plural, comprometido com as causas dos mais necessitados e que proporcione saberes capaz de transformar uma sociedade tão desigual e excludente e que tenha no seu horizonte a utopia socialista.
Nesse dia 20 de novembro seja Zumbi dos Palmares a inspiração que nos falta para juntos, negros, brancos, indígenas, construirmos uma nação radicalmente democrática que busque incondicionalmente a inclusão de todos e que contemple a diversidade.
Prof. Edilson Lôbo do Nascimento (professor do Departamento de Economia da UNIR)
Nesta data de 20 de novembro, é comemorado o dia Nacional da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares. Ele é considerado um ícone da resistência contra a opressão imposta aos negros escravizados no Brasil, símbolo de luta contra a injustiça a que era submetido o negro na senzala.
Zumbi teve um papel histórico importantíssimo em defesa dos direitos e da liberdade dos escravos. Lutou incansavelmente à frente do Quilombo dos Palmares em Alagoas, resistindo a todo tipo de ofensiva feita pela coroa portuguesa com o objetivo de esmagar o movimento de resistência negra. Palmares resistiu quase 100 anos. Infelizmente, no dia 20 de novembro de 1695, Zumbi foi morto numa emboscada em Pernambuco sendo seu corpo exposto em praça pública.
A morte de Zumbi não foi em vão. O seu exemplo de luta pela liberdade dos seus companheiros escravos, ecoa até hoje nas mentes e nos corações dos que não se quedam frente às injustiças, as discriminações e o desrespeito à pessoa humana.
O dia Nacional da Consciência Negra é, acima de tudo, uma chamada à reflexão. Um convite a todos a lutar por uma sociedade livre de preconceitos e socialmente justa. O legado de Zumbi dos Palmares nos impõe uma tarefa da qual não podemos nos omitir enquanto cidadãos, professores educadores, mais de que formadores de opinião, responsáveis pelas reais mudanças que a sociedade almeja. O papel que nos cabe, é de protagonistas de um saber reflexivo, plural, comprometido com as causas dos mais necessitados e que proporcione saberes capaz de transformar uma sociedade tão desigual e excludente e que tenha no seu horizonte a utopia socialista.
Nesse dia 20 de novembro seja Zumbi dos Palmares a inspiração que nos falta para juntos, negros, brancos, indígenas, construirmos uma nação radicalmente democrática que busque incondicionalmente a inclusão de todos e que contemple a diversidade.
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