quinta-feira, 16 de setembro de 2010

PARTE DA HISTÓRIA

PATRIMONIO DA UNIÃO


No ano de 1931 o Governo Brasileiro assume a direção da EFMM – Estrada de Ferro Madeira Mamoré, sendo nomeado como primeiro Diretor o Coronel Aluízio Ferreira. Este, após sua nomeação e bastante prestígio junto a Presidência da Republica, consegue sanear dívidas financeiras da EFMM e inicia obras sociais de grande importância para a cidade de Porto Velho.

Dentre estas obras as mais importantes foram: o Colégio Barão do Solimões (Rua José Bonifácio), a Usina de Eletricidade (Rua Sete de Setembro esquina com Avenida Farquar), o prédio dos Correios (Rua Presidente Dutra esquina com Rua Sete de Setembro), a Vila Erse (Avenida Carlos Gomes), e as casas do Caiarí. Excluindo o Colégio Barão do Solimões, as demais obras foram inauguradas em outubro de 1940, pelo Presidente Getulio Vargas.

A Vila Erse também era conhecida como vila operária, visto que nela moravam os operários da antiga EFMM. Já nas casa do Caiarí moravam os técnicos e o pessoal administrativo da estrada. Por esta razão o bairro passou a ser considerado como bairro de elite. Foi o primeiro conjunto habitacional construído na cidade de Porto Velho.

Por ser uma obra importante, os diretores da EFMM se preocuparam com alguns detalhes, principalmente na qualidade de vida dos moradores do Bairro Caiarí, no seu projeto inicial já previam obras de saneamento, energia elétrica e água encanada. Além disso, havia a necessidade de uma área de lazer, que foi construída posteriormente, a Praça Aluízio Ferreira.

O Bairro Caiarí era estritamente residencial, e ficava no quadrilátero das ruas: Pinheiro Machado, Presidente Dutra, Dom Pedro II e Farquar. Hoje totalmente modificado, o que é lamentável, visto que o mesmo foi tombado como patrimônio histórico, porem as autoridades permitem as modificações, como a obra que esta sendo realizada na esquina da Rua Pinheiro Machado com Rua Presidente Dutra.

Havia uma curiosidade que poucos conhecem. Como as casas do Caiarí pertenciam a União, os funcionários que as ocupavam, pagavam uma taxa simbólica descontada de seus vencimentos. Todas as casas tinham pintadas em sua fachada a seguinte frase: “PATRIMONIO DA UNIÃO”. No inicio dos anos 70 o Governo Federal vendeu as casas aos funcionários. O pagamento era descontado em folha. A forma de pagamento e os valores cobrados pelas residências, facilitaram a aquisição destes imóveis.

Foi no Bairro Caiarí que a surgiu a primeira escola de datilografia de Porto Velho. A Escola Caiarì, situada na Rua Major Guapindáia (hoje Avenida Rogério Weber) próximo a Rua Carlos Gomes. Seus proprietários eram os Professores Tales de Sousa e sua esposa, Professora Felicidade. Naquela época as maquinas não eram elétricas, e por isso eram barulhentas. Ao passar pela calçada da escola, parecia que estávamos diante de um tiroteio, devido ao barulho dos teclados.

Aproveito a oportunidade para saudar os parentes dos antigos moradores do Bairro Caiarí que já não estão entre nós: Ary Pinheiro, Hamilton Gondim, Lourenço Lima, José Otino, Austerlites Erse, Leôncio Cunha, Estela Compasso, Newton Azevedo, Bismarck Marcelino, Esron Meneses, Victor Sadeck, Calmon Tabosa, Capitão Ramiro, José de Melo e Silva, Lênio Duarte, Alfredo Silva, Rodolfo Ruiz, Bráulio Castro, Marco Aurélio Gusman, Dr. Cerqueira Cotrin, Ary Macedo, Teresa Gervais (francesa), Heitor Soares, Marise Castiel, Mario Teixeira, Cláudio Carvalho, Mario Lima, Vivaldo Mendes, Cirilo Arruda, Alberto Gorayeb, Iran Batista, Doutor Grangeiro, Pedro Gondin, Edmar Gaspar, Cabo Lira, Haroldo Dunda, Rodolfo Ruiz e muitos outros.

Bons tempos...

Fiquem todos com Deus.
Até a próxima.

ANISIO GORAYEB

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

MERECIMENTO

HELENA ALVES DA SILVA

A seringueira vendedora de cheirinho

Quem vê dona Helena vendendo “Cheirinho” pelas ruas de Porto Velho jamais pensa, que aquela senhora humilde, porém muito simpática, tem tanta história pra contar. História de quem tirou lenha para abastecer os navios que faziam a linha Belém/Manaus/Porto Velha e vice versa. História de quem trabalhou nos seringais não apenas acompanhando seus pais e depois seu marido, mas, cortando seringa, defumando e fazendo pela de borracha. História de uma mulher guerreira que aos 81 anos de idade, não quer se acomodar e vive da venda de “Cheirinho” para carro, guarda-roupa e outros ambientes: “Esse cheirinho vem de Satarém”.

Dona Helena bem poderia estar descansando, recebendo uma aposentadoria como Soldada da Borracha, além da pensão do seu marido que também foi Soldado da Borracha. “Não consegui me aposentar como Soldada da Borracha porque não consegui um documento provando que trabalhei cortando seringa. Enquanto conheço muita gente, que está recebendo aposentadoria como Soldado da Borracha que nunca nem olhou para uma seringueira”.

Essa é a verdade burocrática brasileira, ganha quem tem condições de “pagar” por uma documentação que na maioria das vezes é forjada. Dona Helena Alves da Silva não teve condições de comprar a documentação e por isso, não faz jus à aposentadoria como Soldada da Borracha.

Essa falha burocrática não tirou da face da dona Helena o sorriso, não tirou de sua mente o conhecimento e nem a dignidade. Mostra dona Helena que acima de qualquer coisa, o ser humano tem que prezar pela dignidade, tem que se orgulhar do que é e do que faz. Não perguntei sobre sua escolaridade, mas, terminei a entrevista com a certeza de ter conversado com uma intelectual formada na escola da vida.

Que a história de dona Helena sirva de exemplo para as pessoas que não acreditam na vida.

Parabéns pelos seus 81 anos dona Helena Alves da Silva


ENTREVISTA

Zk – A senhora nasceu aonde?

Helena – Nasci na Ilha Grande uma localidade que fica entre Maici e Humaitá no baixo rio Madeira, no dia 4 de setembro de 1929, portanto estou com 81 anos completos.



Zk – Seus pais são da Amazônia?

Helena – Não! Meu pai Manoel Francelino Alves veio da Paraíba e minha mãe Adelina Alves de Jesus veio do ceará, filha de português (pai) e mãe cearense.



Zk – A senhora morou na Ilha Grande até quando?

Helena – Até meus doze anos, depois meu pai fez um sítio em Maici. O velho era trabalhador que só ele. Nesse tempo meu pai pegou contrato e a gente passou a trabalhar tirando lenha para abastecer os navios que navegavam pelo rio Madeira.



Zk – Conte pra gente como era o processo de tirar a lenha para abastecer os navios?

Helena – A gente levantava por volta das duas horas da madrugada, atravessava o rio e entrava naqueles igarapés para tirar lenha. Era assim: meu cortava e a gente carregava para a canoa. Era eu e meus irmãos. Na época éramos cinco, depois foi que nasceu mais dois. Minha mãe não gostava muito disso não.



Zk – Por quê?

Helena – Porque dava muito temporal e era muito perigoso atravessar o rio. De quando a gente embarcava na canoa para ir tirar lenha até voltar, ela ficava em casa rezando, se pegando com tudo que era santo para não acontecer nada com a gente. Sempre ela dizia pro meu pai: “Você ainda vai acabar com meus filhos no meio desse rio”. Todo mundo também cortou seringa.



Zk – Fale sobre a vida de vocês no Seringal?

Helena – Acontece que meu pai brigava muito com o velho Garcia o homem responsável por receber a lenha, na hora de ajustar conta e então certa vez, já cansado de tanto discutir, abandou tudo, veio embora pra Porto Velho. Daqui foi que fomos para o seringal.



Zk – A senhora lembra de quem era o seringal?

Helena – O seringalista era o Otávio Reis. Passei um bocado de tempo cortando seringa, depois me casei. Me casei aqui em Porto Velho com o Francisco Alves Martins, ele trabalhou doze anos no armazém do Tufy Matny, carregando mercadoria, naquele tempo o transporte era só carroça de boi ou de cavalo e carrinho e mão.



Zk – Quer dizer que depois que casou a senhora veio morar em Porto Velho?

Helena – Não! Ainda andamos por muitos seringais entre eles o seringal do seu Euro Tourinho pai desse que é o dono do jornal Alto Madeira hoje. Seu Euro seringalista morreu lá no seringal.



Zk – A senhora lembra qual foi a causa da morte dele?

Helena – Ele foi fazer uma visita no seringal e ninguém soube explicar, depois de ter tomado banho o homem ficou todo roxo e morreu.



Zk – A senhora cortava seringa ou apenas trabalhava em casa?

Helena – Cortei seringa mesmo. Quando vivia com meu pai apenas ia colher o leite da seringueira. Meu pai saia pra cortar de madrugada e a gente saia pra colher o leite quando amanhecia. Agora, depois que me casei passei a ajudar meu marido cortando seringa.



Zk – A que horas vocês saiam pra cortar seringa?

Helena – A levantava por volta das duas horas e ia para a estrada cortar seringa.



Zk – Fale sobre o trabalho do corte da seringa?

Helena – É o seguinte: a gente vai cortando e colocando a tijelinha, seringueira por seringueira. Quando termina a estrada a gente volta pra casa, toma café reforçado e depois vai colher o leite. A colheita do leite dura a manhã toda, depois começa o processo de defumação.



Zk – Aos 81 anos de idade a senhora é aposentada como Soldada da Borracha?

Helena – Não sou aposentada como soldada de borracha por que quando fui procurar a aposentadoria pediram um bocado de documento que comprovasse que eu e meu marido tínhamos trabalho como seringueiro.



Zk – Quer dizer que a senhora não é aposentada?

Helena – Não senhor! Conheço gente aqui que nunca nem olhou uma seringueira, quanto mais cortar seringa e é aposentada como soldado da borracha e eu que trabalhei por muitos e muitos anos não consegui me aposentar porque não tenho um papel dizendo que fui seringueira, isso não está certo. Exigiram testemunha, que eu levasse documento do meu marido (falecido). Naquele tempo poucas pessoas tinham documentos e o pessoal do governo querendo que eu apresentasse documento comprovando que tinha trabalhado como seringueira.



Zk – A senhora estava dizendo que também trabalhou nos seringais do rio Candeias, fale sobre isso?

Helena – Aonde hoje é o município de Candeias do Jamari naquela época, tinha um quartel com apenas dois soldados. Atravessamos aquelas cachoeiras medonhas. A de São Sebastião é a pior delas. O que lembro com saudade daquele tempo, é das pescarias. A gente pegava muito peixe na beira do rio Candeias, principalmente Piranha.



Zk – Como era que a senhora preparava a Piranha?

Helena – Era na água e no sal como diz o beradeiro. Não tinha tempero. Aquela Piranha gorda gostosa. A gente dormia dentro da mata correndo risco de pegar malária. Chegava naqueles pontos assim e via aquele cemitério enorme, a maioria tinha morrido de malária.



Zk – Algum parente seu morreu de malária nos seringais?

Helena – Graças a Deus não. Minha Mãe morreu no seringal Rio Branco, mas, não foi de malária.



Zk – Mesmo trabalhando, tem momentos que a família do seringueiro passa dificuldade, inclusive de alimentação. O que a sua família fazia para suprir essa fase?

Helena – Na realidade, passamos algumas dificuldades quando minha mãe morreu e minhas duas irmãs ficaram pequenas. Para alimentar as crianças, a gente sem experiência tinha que apelar para o que aparecia. Então a gente ia pra mata tirar açaí, patuá, bacaba e bebia aquele vinho com beiju, sem açúcar. A gente penou um bocado.



Zk – Vamos falar sobre a defumação do leite da seringa?

Helena – Meu marido chegava com o leite e as vezes dizia, vou tirar açaí, enquanto ele estava na mata tirando açaí eu acendia o fogo na fornalha, botava o leite na bacia e eu mesma defumava.



Zk – Qual a melhor madeira para fazer fumaça?

Helena – O melhor mesmo é o côco babaçu.



Zk – As pelas que a senhora defumava pesavam o que?

Helena – Dependia muito. Tinha delas de trinta, quarenta e até cinqüenta quilos.



Zk – Nos seringais por onde a senhora andou tinha muita caça?

Helena – Se tinha! Eu fazia de tudo. Meu marido às vezes chegava em casa com um Veado daqueles Capoeiro e eu mesma pendurava e riscava ele todinho e tirava o couro.



Zk – A carne de Veado é boa. Como é que se prepara?

Helena – É uma carne muito saborosa, que pode ser preparada de todo jeito; guisado, cozida, frita, assada e quando ta gorda é melhor ainda. Às vezes meu marido matava Anta era aquela Anta enorme e então ele chamava a vizinhança e dizia: Matei uma Anta, quem quiser carne tem que ajudar a tratar. Carne de Anta é uma delicia. A gente pegava salgava e espalhava no varal, ela ficava umidazinha e depois assava. Aquilo no pirão de leite de castanha, você comia que ficava triste.



Zk – Como é que se faz o pirão de leite de castanha?

Helena – É só fazer o leite, colocar farinha no prato e despejar o leite da castanha.



Zk – Como a senhora fazia o leite da castanha?

Helena – Tem que descascar a castanha e ralar. Eu ralava no cano da espingarda.



Zk – Ralo no cano da espingarda?

Helena – Sim! A gente pegava um terçado e fazia os dentes do ralo no cano da espingarda, depois você enche a mão de castanha e rala. Coco babaçu eu sei quebrar. O leite de babaçu pra temperar comida é muito gostoso. Meu pai, quando a gente morava aqui no amazonas tinha muita fartura em casa, tinha muita criação no terreiro, era galinha, pato, porco, gado, peru. Tinha vez que quando a gente via saia de dentro do mato àquela porca cheia de bacuri. Todo sábado ele matava um capadão (porco) daquele.



Zk – A senhora falou: Quando a gente morava no Amazonas. Se a senhora sempre morou aqui, porque a citação quando a gente morava no Amazonas?

Helena – Acontece que os seringais do Rio Jacy e Candeias ficavam no Mato Grosso só depois que tudo passou a ser chamado de Amazônia, por isso digo no tempo que a gente morava no Amazonas porque de Porto Velho pra baixo pelo rio Madeira tudo era estado do Amazonas na época.



Zk – Nos seringais onde a senhora trabalhou tinha índio?

Helena – Só ouvia falar que tinha índio por ali, mas, nunca vi nenhum. Tem até uma história engraçada que aconteceu comigo. No rio Negro já pertencendo à Bolívia tinha muita mata na beira e eu tinha muito medo pensando que tinha índio. Certa vez ouvi uma gritaria do outro lado do rio. Aquilo pra mim era índio, saí correndo no rumo de casa, encontrei meu marido no meio do caminho e passei por ele avisando, corre que os índios vêm aí! E ele respondeu: Não é índio não sua tola, são as Lontras que estão subindo e gritando.



Zk – E onça?

Helena – Onça tinha demais! Eu tinha o “Rango” um frangão bonito, quando dei fé, ela tava com o frango atravessado na boca, era uma onça vermelha. Entrei em casa peguei a espingarda e mandei bala “pou”, a bicha deu um pinote de mais de metro e sumiu.



Zk – Quer dizer que a senhora era boa de gatilho?
Helena – Eu matava galinha de tiro, mirava no pescoço e “pou”. Meu marido às vezes estava na vizinhança e quando ouvia o tiro dizia: Lá está a Helena matando galinha. Matei muita nambu azul, nambu galinha tudo de tiro de espingarda e não perdia a carne.
N.R – INAMBU - Também "nambu". Aves da fam. Tinamídeos, gên. As 14 espécies brasileiras deste gênero representam um tipo homogêneo quanto ao feitio, variando apenas de tamanho e um tanto no colorido. Algumas espécies são de cor uniforme, outras têm abundantes desenhos de linhas escuras no dorso e sobre as asas. A cauda ou falta ou é representada por penas tão curtas, que as coberteiras as escondem. Os dois sexos quase que não se diferenciam. São aves que vivem no chão, alimentando-se de frutos e sementes; voam pouco. Os ovos são lisos e lustrosos, de cores verde-azulada ou branco-chocolate.
Zk – Quando foi que a senhora veio morar de vez em Porto Velho?
Helena – O Otávio Reis tinha um sítio aqui em Porto Velho e meu marido veio tomar conta. Acontece que com algum tempo meu marido resolveu voltar para o seringal e então eu disse: Você vai sozinho, porque daqui não vou mais para a mata. Resultado, ficamos morando aqui e meu marido foi trabalhar com o Tufy Matny.
Zk – Seu marido no Tufy e a senhora foi fazer o que?
Helena – Eu passei a ser lavadeira. Lavava roupa pra fora num igarapé que ficava no bairro Mato Grosso se fosse hoje, depois da Ulbra.

Zk – Já que a senhora falou. Como era Porto Velho quando a senhora chegou aqui?
Helena – Ali onde é a Mariza era um matadouro de porco. Morei no KM-1 tudo era mata, só tinha um varadorzinho. Isso pra cá do Mercadinho do KM-1. Fui vizinha da dona Marieta mãe desse sambista Bainha.
Zk – Hoje a senhora vive vendendo “Cheirinho” para carro, guarda-roupa e outro ambientes. Aonde a gente pode lhe encontrar vendendo esses cheirinhos?
Helena – Moro na rua Ana Bela com a Café Filho no bairro Socialista. Sempre estou vendendo no mercado Central. Também faço ponto no Center Norte na rua Brasília, no super mercado Canadá que fica na Afonso Pena com a Rafael Vaz e dia de sábado de manhã, fico na Av. Nações Unidas em frente das lojas. Cada saquinho de cheirinho custa R$ 5.
Zk – Para encerrar. A senhora era cutuba ou pele curta?
Helena – A política aqui toda vida foi assim nojenta, de primeiro ainda era pior, porque tinha muita briga, mandavam pelar a cabeça das pessoas, prendiam, batiam. Eu era da política do Dr. Renato Medeiros portanto, Pele Curta da gema.

zekatraca

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Exercendo a Cidadania

tudorondonia/ Alan Alex- fonte


Excelente ideia

A leitora Elizete Pereira Nascimento enviou para a coluna o seguinte e-mail que reproduzimos na íntegra: “Bom Dia, Alan Alex! - Sou leitora de sua coluna e tenho a seguinte pergunta a te fazer: não está na hora da sociedade cobrar dos TRE's, TSE, STF uma posição para que tenhamos uma lista de candidatos para nossa análise sem risco de ter o nosso direito de participar do processo democrático ferido por alguma decisão superior que simplesmente desconsidere o nosso voto? Sei que uma andorinha só não faz verão mas já comecei (vide transcrição abaixo da msg que enviei ao STF).

O texto
Senhores Ministros, - Sou cidadã brasileira com domicílio eleitoral em Porto Velho - Rondônia e com minhas obrigações eleitorais em dia. Desde de que fiquei apta a votar nunca deixei de exercer esse sagrado direito democrático. Porém, diante da incerteza referente a lista de candidatos apresentada por quem tem o dever e atribuição de gerenciar o processo eleitoral, estou correndo o risco de perder o meu direito de participar do processo democrático. Não só eu como milhares de rondonienses que vão às urnas e precisam ter certeza de quem é candidato ou não. Essa situação se deve às diversas interpretações em curso da Lei Ficha Limpa. Procurei me informar sobre o assunto, mas renomados juristas apresentam interpretações diferentes. Diante disso, venho pedir encarecidamente que o STF faça valer o meu direito de cidadão brasileiro garantido na nossa Carta Magna de votar e ter meu voto computado na decisão final. Para isto basta que decida sobre essa questão e ai terei certeza da lista correta de candidatos apresentados pelo TRE para que eu escolha sem risco de ter meu voto desconsiderado no futuro. Eu ainda acredito no judiciário e milhares de rondonienses correm o risco de ter seu direito desrespeitado e aí"quem poderá nos salvar?"
Pois bem

A ideia da Elizete está aí e acho que ela está coberta de razão. O Brasil e principalmente o Judiciário tem que parar com essa lerdeza no que diz respeito a questões importantes como essa. Quem quiser repetir o gesto dela, pode CLICAR AQUI para ver como entrar em contato com os ministros.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

LEMBRANÇAS!

Marcas do Passado

Existiram dias em minha vida que a fumaça destas queimadas nem se comparavam aos dias nebulosos que vivi. Junto de minha mãe, passei por tantos caminhos tortuosos que as lágrimas dos meus olhos, fecundaram os momentos felizes que vivo hoje. Por sofrer por amor, minha mãe até hoje possui uns olhos caboclos que sempre se perdem no horizonte de sua alma. Dos filhos, por ser o mais velho e homem, deixei sobre os meus ombros um fardo tão pesado que nestes últimos anos, os meus olhos também começaram a se perder no horizonte. Como diria o meu grande amigo de algumas farras homéricas da época do Bilu Teteia, Carmênio, resolvi dar uma olhada nos meus alfarrábios. Coisas antigas, minhas, pedaços do meu coração que foram ficando em palavras sem rimas, sem a preocupação com a gramática ou fonética. Minha mãe viveu um só grande amor em sua vida. Um amor intenso, um amor para toda a vida. Um amor cheio de marcas, no coração e no rosto. Um amor com momentos felizes e muitos, mas, muitos momentos para se perder o sono. Do meu pai herdei uma forte opinião e o gosto por sempre querer participar de confrarias etílicas pelas madrugadas da minha tão querida Porto Velho. Mas, mostrei-me um beiradeiro de vergonha, e não deixei a marca do filho de peixe peixinho é. Como minha mãe respiro sensibilidade. Vivo sempre a espera de um milagre, onde a minha vida e a vida dos meus amigos, familiares possa ser cheia de felicidades e sem dias nebulosos. Como meu pai, sou crítico por natureza. Mas, também flexível ao ponto de sofrer pelo sofrimento dos outros. Alguém vai me perguntar sobre estas palavras. Talvez o texto de minha mãe que vai abaixo desta minhas linhas possa explicar. O amor e o desamor podem modificar a vida de muitas pessoas. Quando fomos morar sozinhos sem meu pai, arrumamos uma casa de madeira sem piso, portas e outras coisitas mais. Um dia tão triste em nossas vidas que nem a alegria que vivemos hoje pode apagar. Perdoe-me meus amigos, O Gente de Opinião, os que gostam e que não gostam de mim. Mas, palavras nascem do coração. Talvez muitos possuam o medo de mostrar o que viveram. Mas, as vezes é preciso dizer qualquer coisa sobre a gente. Um desabafo que não chega a ser triste, chega apenas a ser verdadeiro. O texto que vai abaixo vai ser escrito na íntegra, com erros de português iguais aos meus. Saibam vocês que palavras tão sinceras com certeza existem na alma de muitos de nós. Coisas simples, que quando vivemos nos levam ao céu e o inferno em alguns segundos. Se vivemos um grande amor, precisamos vivê-lo com intensidade, para que no amanhã que sempre se aproxima tão rápido as marcas do passado não possam nos perseguir como fantasmas que sempre batem em nossas portas.


“Pensei que

todo mundo

amasce igual a mim.

Mais foi puro engano.

Amei, amei, muito.

Mais não fui correspondida.

Espero ser amada algum dia,

não sei quando e

nem por quem, só o

mundo e tempo dirá.

A pessoa que mais amei

nunca descobrio que eu

daria até minha vida se

preciso fosse por ela.

Por isso pois tudo a perder.

Um amor tão bonito que

poderia dura a vida inteira”.


Maria José dos Santos Ramos



Hoje, vou assinar como realmente me chamo


José Carlos Oliveira ou Beto Ramos.


Diz a lenda.

sábado, 4 de setembro de 2010

MISTÉRIO!

Vai entender


Fizeram um samba quadrado.

Dentro de um quadrado entre paredes.

Um samba quadrado sem perguntas,

deixando alguns sambistas fora do quadrado.

O samba quando fica triste valoriza a sua origem.

O samba quando fica quadrado,

pode voltar ao quadrado de uma só mesa.

Fizeram um samba quadrado.

Um samba sem o porto velho porto.

Fizeram um samba quadrado.

Um samba que não é da sete de setembro

lá do quilometro um.

Um samba quadrado para poupar pó de café

para jogar no ventilador.

Fizeram um samba quadrado,

que nem o Bubu ouviu falar.

Um samba quadrado para poucos cantarem.

Aquela linda flor regada por um samba redondo,

agora é lembrada dentro de um quadrado

poupando pó de café para jogar no ventilador.

Vai entender o quadrado dos investimentos

em nossa cultura.

O cara que gostava do balanço do trem viajando junto com seu bem,

passou o ano inteiro batendo tecla e mais teclas sobre os investimentos quadrados

na Flor do Maracujá, no carnaval e outras coisitas mais.

Fizeram um samba quadrado que não é sucesso.

Fizeram um samba quadrado para deixar os sambistas do porto do velho Pimentel

sempre com o chapéu na mão.

Fizeram um samba quadrado que o João Carteiro não entregou a letra para ninguém.

Um samba quadrado quem nem a kizomba que é a festa das raças, ouviu alguém cantar.

Alguém fez um samba quadrado.

Um samba quadrado com alguns sem e muitos outros cem.

Um samba quadrado sem alguns investimentos, sem o apoio necessário para alguns eventos.

Um samba quadrado com alguns cem pros caras lá da cidade maravilhosa, alguns cem pros caras lá da cidade da garoa.

Pros caras do porto do velho Pimentel só a fumaça das queimadas.

Vai entender este quadrado sem rimas.

Estamos no centro histórico da nossa história.


“A melhor forma de ver o quadrado é olhando para ele” - Dom Lauro




Diz a lenda.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O BRILHO DAS ESTRELAS

A ESTRELA PRECISA BRILHAR


Por Beto Ramos


Abriram-se as cortinas do espetáculo.

Como num filme dos anos sessenta, nossa cultura beiradeira entrou no palco.

Como se fosse farinha d'água com peixe, aquela apresentação iluminada pela antes escura Praça Getúlio Vargas, levou o público para um banquete nesta nossa Porto Velho tão querida.

Cantando o Mocambo, Baixa da União e tantos outros bairros de nossa cidade, A Fina Flor do Samba deixou o centro histórico bem mais iluminado.

O Índio Iaripuna se mostrou como os nossos olhos sempre desejaram ver, valorizando a estrela vermelha que ilumina o nosso município.

O povo observa e sabe do crescimento do espetáculo.

Já não estamos passando a toa no bar do Zizi.

O Mercado Cultural transformou-se no coração do nosso centro histórico.

O som é da terra e a música do céu.

Cantando a alma do nosso povo, voltamos neste tempo que muitas vezes é implacável com as marcas do nosso rosto.

Mas, como é bom ver a nossa velha guarda sorrindo.

Ver nossos filhos ilustres cantando junto com nosso poeta maior.

Ali esquecemos nossas tristezas.

Fazemos amigos.

São rostos que ficam em nossas retinas.

Pessoas conhecidas, gente de outros pedaços deste grande terreiro chamado Brasil.

Assim reúnem-se beiradeiros, nordestinos, gaúchos, Capixabas.

Obrigado a você que veio para Porto Velho.

Veio e ficou.

Obrigado por ajudar no tempero deste caldeirão cultural de nossa cidade.

O importante é estarmos felizes.

A felicidade possui um preço.

O preço da felicidade são investimentos no que está dando certo.

Os felizes precisam sorrir.

O sorriso dos felizes transforma o nosso povo.

E o importante é o nosso povo feliz.

Uma das finalidades desta nossa viagem pela Porto Velho dos anos sessenta, é trazer a felicidade ao nosso povo.

Chegamos lá.

Onde chegamos ?

Pergunte ao povo !

Vamos cuidar com todo o carinho da nossa farinha d'água com peixe.

O Índio Iaripuna com certeza também come do nosso banquete.

Voltando a sorrir podemos gritar obrigado Porto Velho.

Obrigado Porto do velho Pimentel.

Obrigado Porto Velho do Manga Rosa.

Obrigado Porto Velho do Bacu, Remédio.

Obrigado Porto Velho do Bainha e Sílvio Santos.

Obrigado Porto Velho dos sambistas de Porto.

Abriram-se as cortinas do espetáculo e este é o teatro da vida.

Um teatro a céu aberto.

E toda a Porto velho e o Brasil sabem onde fica.

Fica ali no Mercado Cultural.

No meu de uma Rua dentro do nosso coração.

Diz a Lenda.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Histórias do Porto

O QUASE SEQUESTRO DO ZEZECA

Por: Beto Ramos

O futebol de Porto Velho já desfilou com uma coroa bem mais dourada em outros tempos.
Existiu um tempo onde nossos atletas eram realmente craques aos nossos olhos.

Uma época onde nossos craques eram Gervásio – Ferro – Parruda – Gainete – Serrão – Edson santos - Walter Santos – Pirralho – Meu pai “Buchudo” - Meireles – Edu – Nazaré – Mundoca – Faz-tudo – Reis - Zezeca e tantos outros que fizeram história no palco principal do nosso esporte o Estádio Aluízio Ferreira.

Dos nossos clubes queridos, muitos ficaram apenas na lembrança e em fotografias em algum lugar.

Desde a época do União Esportiva fundado em 11 de junho de 1916, o primeiro clube de futebol de Porto Velho, que treinava na Baixa da União, lugar que revelou tantos craques, muitos foram os times de futebol que disputaram campeonatos em Porto Velho.
Que saudade do Ypiranga Esporte Clube, o segundo clube filiado a Federação do Desporto do Guaporé, fundado em 13/04/1919.

Que saudades do Ferroviário Atlético Clube e do Clube de Regatas Flamengo.
Saudades daquele Moto Clube, São Domingos, Botafogo, Rondônia, Vasco da Gama, Cruzeiro e tantos outros.

O que foi feito do nosso futebol ?
O Campeonato de futebol da década de 60 na Baixa da União era bem mais animado que este tal de profissional que existe por ai!

Que Saudades do Fera, José Camacho, Mitoso, Chico Santos, Mourão, César Zoghbi, Albino Lopes,Sebastião Lapa, até o Loló não é mais o mesmo.

As histórias e estórias do nosso futebol estão indo pro andar de cima com os que partiram.

O nosso futebol também é cultura.

Uma cultura popular que está sendo riscada do mapa se alguma coisa não for feita para mudar o resultado deste triste campeonato.
O nosso futebol é cheio de lendas ou como dizia meu velho, presepadas para todo o gosto.

São muitas as “presepadas”.
Diz a lenda que nos meados dos anos 60, o campeonato era disputadíssimo.
Eram realizadas mandingas.

Forças ocultas extra campo também eram usadas para melar os resultados.
Existia até a pimenta do seu Camacho, assunto para outras linhas.
Zezeca era o goleiro do Moto Clube nesta época de ouro.
Amazonense, veio para Porto Velho junto com seu irmão Joanildo Ramos “Buchudo”.
Aqui chegando foram morar na Rua Salgado Filho junto com o Osvaldo Reis, numa estância com o nome de trem de palha, trem de palha pois era coberta de capim sapé.
Dizem que no verão aquele capim estralava.

Conversando com Zezeca, ele me disse que certa vez a dona da estância que gostava de fumar um cachimbo, cochilou perto do mosquiteiro. O Cachimbo caiu e aconteceu um incêndio no trem de palha. Todos correram para ajudar e a dona da estância estava preocupada era com a roupa do seu velho, e gritava: a roupa do Nonato o paletó do meu velho Gama! Ajudem a salvar a roupa do Nonato o paletó do meu velho Gama.

O dirigente principal do Flamengo, dono do Flamengo, o tudo do Flamengo era o Velho César Zoghbi. E o velho César estava disposto a tudo por um bom resultado do seu clube. O clássico de certo domingo da década de 60 seria Moto Clube X Flamengo. Times recheados de super craques. No domingo pela manhã o Moacir Borracha, folclórico morador de Porto Velho, sabendo que o Zezeca fazia manutenção de bombas , motores de todo o tipo, convido-o para ir num sítio no KM 12 da BR 364, explicou que uma bomba havia dado problema e coisa e tal. Como o Zezeca era funcionário do Moacir, aceitou o pedido, mas foi logo dizendo que haveria jogo no Aluizão e que não poderia demorar no sítio.

O Moacir acalmou o Zezeca e disse que seria rápido e que se preciso fosse o Jipe até voaria na volta.

O que o Zezeca não sabia era que tudo estava combinado com o Velho César Zoghbi. Chegando ao sítio o Moacir já foi convidando o Zezeca para tomar um Drinque com água-de-coco. Aquela era uma época em que a rapaziada não dispensava uma bebidinha.
O Zezeca tomou uma e já foi perguntando a hora.

O Moacir foi logo dizendo que ainda era cedo.
O tempo foi passando, o serviço foi terminado e o relógio não andava, não passava das 13:00 hs.
E o Moacir empurrando Wisky no goleirão do Moto.
Vamos embora que este relógio tá doido.
O sol tá baixando e já passam das duas.
Então o Moacir junto com o Zezeca pegaram o Jipe e azularam rumo ao Aluizão.
No KM 8 resolveram dar uma parada.
O Moacir sempre segurando o tempo ao máximo.
Nisso o Zezeca resolveu perguntar ao Cândido pela hora.
Para sua surpresa o velho Cândido perguntou o que aconteceu para ele não agarrar no gol do Moto Clube.
Prontamente o Zezeca disse que estava indo para lá.
Como indo para o jogo ?
Pera ai que vou ligar o rádio.
Justo na hora em que o rádio foi ligado o narrador gritava gol do Flamengo.
Era o primeiro.

O Zezeca possesso obrigou o Moacir Borracha a entrar no Jipe e partir rumo ao estádio Aluízio Ferreira.
E perguntava que presepada era aquela.
E o Moacir calado com um riso no canto da boca.
A verdade e que esculhambaram a bomba de propósito, e levaram o Zezeca para que ele não participasse do jogão contra o Flamengo.

Chegando ao Estádio o Goleirão tentou entrar e foi barrado pelos porteiros do estádio, tudo a pedido do velho César Zoghbi.
Confusão formada chamaram a polícia para retirar o goleiro aparentemente embriagado pelo driques com água-de-coco. Tudo armação e o resultado do jogo já estava 2 x 0 pro Flamengo.

Desesperado o Zezeca livrando-se da polícia, pulou o muro lateral do estádio, ralando todo o peito.
Meio sem rumo, ao pular caiu dentro de uma caixa de água, fato que salvou-o de quebrar alguns ossos do corpo.

Logo chegou o velho César Zoghbi sorrindo e disse para os policias levarem o goleirão de novo para fora do estádio pois estava embriagado.
A gozação com o goleirão foi muita e por muito tempo.
Anos mais tarde o Zezeca foi ser o goleiro do Flamengo.
O contrato: Um emprego na Prefeitura de Porto Velho na Fábrica de Asfalto.

Foi ai que surgiu o bloco de sujo ASFALTÃO.
O Zezeca é um dos fundadores do que é hoje uma grande escola de samba.
Ele era a nega maluca que abria o carnaval do asfaltão.
Tem gente que não lembra nem com Makumba.
Mas, isto também é assunto para outras linhas.


Zezeca hoje trabalha no Hospital de Base Ary Pinheiro de Porto Velho, está com 67 anos e guarda boas lembranças de um tempo que não volta mais.
Esta é uma das muitas histórias ou estórias da nossa gente.




DIZ A LENDA.