Descoberta do Brasil
O termo descoberta do Brasil se refere à chegada, em 22 de abril de 1500, da frota comandada por Pedro Álvares Cabral ao território onde hoje se encontra o Brasil. A palavra "descoberta" é usada nesse caso em uma perspectiva eurocêntrica, referindo-se estritamente à chegada de europeus às terras do atual Brasil, que já eram habitadas por vários povos indígenas.
Embora quase exclusivamente utilizado em relação à viagem de Cabral, o termo "descoberta do Brasil" também pode referir-se à suposta chegada de outros navegantes europeus antes de Cabral. Esse é o caso das possíveis expedições do espanhol Vicente Yáñez Pinzón em 26 de janeiro de 1500[carece de fontes?], e de Duarte Pacheco Pereira[1] em 1498.[2]
A armada
Confirmando o sucesso da viagem de Vasco da Gama no âmbito de encontrar um novo caminho para as Índias - visto que o Mediterrâneo se encontrava sob posse dos mouros, o Rei D. Manuel I se apressou em mandar aparelhar uma nova frota para as Índias, frota esta ainda maior que a primeira, sendo composta por treze embarcações e mais de mil homens. Pela primeira vez liderava uma frota um fidalgo, Pedro Álvares Cabral, filho de Fernão Cabral, alcaide-mor de Belmonte.
Estima-se que a armada levasse mantimentos para cerca dezoito meses. Pouco antes da partida, el-Rei mandou rezar uma missa, no Mosteiro de Belém, presidida pelo bispo de Ceuta, D. Diogo de Ortiz, em pessoa, onde benzeu uma bandeira com as armas do Reino e entregou-a em mãos a Cabral, despedindo-se o rei do fidalgo e dos restantes capitães.
Vasco da Gama teria tecido considerações e recomendações para a longa viagem que se chegava: a coordenação entre os navios era crucial para que não se perdessem uns dos outros. Recomendou então ao capitão-mor disparar os canhões duas vezes e esperar pela mesma resposta de todos os outros navios antes de mudar o curso ou velocidade (método de contagem ainda atualmente utilizado em campo de batalha terrestre), dentre outros códigos de comunicação semelhantes.
A viagem
Conforme relatam os cronistas da época,[3] zarpou a grande frota de treze navios do Restelo a 9 de Março de 1500, com o objetivo formal de novamente tentar atar relações comerciais com os portos índicos de Calecute, Cananor e Sofala, uma vez que Vasco da Gama havia sido, na primeira tentativa, absolutamente desastroso, chegando a ser ridicularizado pelos governantes locais dadas as péssimas condições em que os portugueses se encontravam no desembarque.[4] Neste mesmo aspecto diplomático, a viagem de Cabral também mostrou-se um grande fracasso, sendo que Portugal ainda demoraria mais algumas décadas até conseguir uma relação comercial com esses portos.
Pelo dia 14 do mesmo mês já encontravam-se nas Canárias e no dia 22 chegavam a Cabo Verde. No dia seguinte desapareceu misteriosamente o navio de Vasco de Ataíde.
No dia 22 de Abril, de modo que não se sabe com certeza se foi acidental ou já premeditado - embora as recentes pesquisas historiográficas demonstrem que os portugueses tinham, no mínimo, alguns fortes indícios de haver terra no outro lado do Atlântico (graças à carta da viagem de Vasco da Gama) -, avistou-se terra chã, com grandes arvoredos: ao monte. Ao grande monte, Cabral batizou de Monte Pascoal e à terra deu o nome de Ilha de Vera Cruz — posto que não se pensava ser uma terra muito extensa -; depois, descobriu-se ser um continente, denominaram-na Terra de Santa Cruz (hoje Porto Seguro, no Estado brasileiro da Bahia). Aproveitando os alísios, a esquadra bordejou a costa baiana em direção ao norte, à procura de uma enseada, achada afinal pouco antes do pôr-do-sol do dia 24 de abril, em local que viria a ser chamado Baía Cabrália. Ali permaneceram até 2 de maio, quando rumaram para as Índias, cumprindo finalmente seu objetivo formal de viagem, deixando dois degredados e dois grumetes que desertaram.
A chegada em Vera Cruz
No dia 24 de Abril, Cabral recebeu os nativos no seu navio. Então, acompanhado de Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia e Pero Vaz de Caminha, recebeu o grupo de índios que reconheceram de imediato o ouro e a prata que se fazia surgir no navio — nomeadamente um fio de ouro de D. Pedro e um castiçal de prata — o que fez com que os portugueses inicialmente acreditassem que havia muito ouro naquela terra. Entretanto, Caminha, em sua carta,[5] confessa que não sabia dizer se os índios diziam mesmo que ali havia ouro ou se o desejo dos navegantes pelo metal era tão grande que eles não conseguiram entender diferentemente. Posteriormente, provou-se que a segunda alternativa era a verdadeira.
O encontro entre portugueses e índios também está documentado na carta escrita por Caminha. O choque cultural foi evidente. Os indígenas não reconheceram os animais que traziam os navegadores, à exceção de um papagaio que o capitão trazia consigo; ofereceram-lhes comida e vinho, os quais os índios rejeitaram. A curiosidade tocou-lhes pelos objectos não reconhecidos - como umas contas de rosário, e a surpresa dos portugueses pelos objetos reconhecidos - os metais preciosos. Fez-se curioso e absurdo aos portugueses o fato de Cabral ter vestido-se com todas as vestimentas e adornos os quais tinha direito um capitão-mor frente aos índios e estes, por sua vez, terem passado por sua frente sem diferenciá-lo dos demais tripulantes.
Os indígenas começaram a tomar conhecimento da fé dos portugueses ao assistirem a Primeira Missa, rezada por Frei Henrique de Coimbra, em um domingo, 26 de abril de 1500. Logo depois de realizada a missa, a frota de Cabral rumou para as Índias, seu objetivo final, mas enviou um dos navios de volta a Portugal com a carta de Caminha. No entanto, posteriormente, com a chegada de frotas lusitanas com o objetivo de permanecer no Brasil - e a tentativa de evangelizar os índios de fato -, os portugueses perceberam que a suposta facilidade na cristianização dos indígenas na verdade traduziu-se apenas pela curiosidade destes com os gestos e falas ritualísticos dos europeus, não havendo um real interesse na fé católica, o que forçou os missionários a repensarem seus métodos de conquista espiritual.
Os povos nativos
Quando da chegada ao Brasil pelos portugueses, o litoral baiano era ocupado por duas nações indígenas do grupo linguístico tupi: os tupinambás, que ocupavam a faixa compreendida entre Camamu e a foz do Rio São Francisco; e os tupiniquins, que se estendiam de Camamu até o limite com o atual Estado brasileiro do Espírito Santo. Mais para o interior, ocupando a faixa paralela àquela apropriada pelos tupiniquins, estavam os aimorés.
No início do processo de colonização do Brasil, os tupiniquins apoiaram os portugueses, enquanto seus rivais, os tupinambás, apoiaram os franceses, que durante os séculos XVI e XVII realizaram diversas ofensivas contra a América Portuguesa. A presença dos europeus incendiou mais o ódio entre as duas tribos, ódio relatado por Hans Staden, viajante alemão, em seu sequestro pelos tupinambás. Ambas as tribos possuíam cultura antropofágica com relação aos seus rivais, característica que durante séculos não fora compreendida pelos europeus, o que resultou na posterior caça àqueles que se recusassem a mudar esse hábito.
Polêmica
A polêmica sobre o descobrimento
No ano 2000, comemorou-se o aniversário de 500 anos do Descobrimento do Brasil, o que provocou muita polêmica em redor da data. Para muitos, a comemoração implicaria que a história do Brasil completou o quinto centenário no ano 2000, uma perspectiva vista como eurocêntrica, pois partiria do princípio de que apenas com a chegada da esquadra de Cabral teve início o processo histórico nas terras que hoje formam o Brasil, desconsiderando os povos nativos.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
FUNARTE/ CULTURA
FUNARTE
34 editais para premiar mil artistas
Com o maior orçamento dos últimos 20 anos definido pelo Ministério da Cultura, a Funarte acaba de lançar 34 editais de fomento às áreas de teatro, dança, circo, artes visuais, fotografia, música, literatura, cultura popular e arte digital. Serão concedidos mil prêmios e bolsas de até R$ 260 mil, para projetos de produção, formação de público, pesquisa, residências artísticas, apoio a festivais e produção crítica sobre arte.
Com investimento total de R$ 56,8 milhões, a Funarte e o Ministério da Cultura acabam de lançar 34 editais de fomento às áreas de teatro, dança, circo, artes visuais, fotografia, música, literatura, cultura popular e arte digital. Serão concedidos mil prêmios e bolsas de até R$ 260 mil, para projetos de produção, formação de público, pesquisa, residências artísticas, apoio a festivais e produção crítica sobre arte.
Foram lançadas as novas edições dos prêmios Myriam Muniz (teatro), Klauss Vianna (dança) e Carequinha (circo) e da Rede Nacional Artes Visuais – que estão entre as principais políticas públicas para as artes no Brasil. O apoio à literatura, à criação em música erudita e à circulação de música popular também está mantido. Além disso, muitas inovações garantem espaço para novos formatos e novas interações estéticas no país.
Pela primeira vez, a Funarte lança editais para seleção de festivais. Há também prêmios para artes cênicas na rua e o apoio a residências artísticas no Brasil e no exterior. A instituição investe na composição de música erudita, em concertos didáticos na rede pública de ensino e na gravação de CDs de música popular. Nas artes visuais, a Funarte volta a apoiar festivais e salões regionais, além de viabilizar projetos de pesquisa e reflexão crítica sobre artes contemporânea. A fotografia será tratada como categoria à parte, com o Prêmio Marc Ferrez.
Orçamento Recorde – O orçamento da Funarte para 2010 é de R$ 101,6 milhões – sete vezes maior que o de 2003, e o maior em vinte anos de história da Fundação. Os programas foram elaborados a partir das diretrizes do Plano Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura, com ampla participação da sociedade, por meio de diversos encontros com a diretoria colegiada da instituição e com os Colegiados Setoriais. Os projetos inscritos são analisados por comissões externas, contando sempre com representantes de todas as regiões brasileiras. As inscrições estão abertas em todo o país.
Além de editais para a ocupação de galerias e outros espaços expositivos, foram lançadas 11 seleções públicas para projetos de música e de artes cênicas a serem desenvolvidos em salas de espetáculos e teatros no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
Ascom Funarte
Mais informações: www.funarte.gov.br - Portal das Artes Funarte
34 editais para premiar mil artistas
Com o maior orçamento dos últimos 20 anos definido pelo Ministério da Cultura, a Funarte acaba de lançar 34 editais de fomento às áreas de teatro, dança, circo, artes visuais, fotografia, música, literatura, cultura popular e arte digital. Serão concedidos mil prêmios e bolsas de até R$ 260 mil, para projetos de produção, formação de público, pesquisa, residências artísticas, apoio a festivais e produção crítica sobre arte.
Com investimento total de R$ 56,8 milhões, a Funarte e o Ministério da Cultura acabam de lançar 34 editais de fomento às áreas de teatro, dança, circo, artes visuais, fotografia, música, literatura, cultura popular e arte digital. Serão concedidos mil prêmios e bolsas de até R$ 260 mil, para projetos de produção, formação de público, pesquisa, residências artísticas, apoio a festivais e produção crítica sobre arte.
Foram lançadas as novas edições dos prêmios Myriam Muniz (teatro), Klauss Vianna (dança) e Carequinha (circo) e da Rede Nacional Artes Visuais – que estão entre as principais políticas públicas para as artes no Brasil. O apoio à literatura, à criação em música erudita e à circulação de música popular também está mantido. Além disso, muitas inovações garantem espaço para novos formatos e novas interações estéticas no país.
Pela primeira vez, a Funarte lança editais para seleção de festivais. Há também prêmios para artes cênicas na rua e o apoio a residências artísticas no Brasil e no exterior. A instituição investe na composição de música erudita, em concertos didáticos na rede pública de ensino e na gravação de CDs de música popular. Nas artes visuais, a Funarte volta a apoiar festivais e salões regionais, além de viabilizar projetos de pesquisa e reflexão crítica sobre artes contemporânea. A fotografia será tratada como categoria à parte, com o Prêmio Marc Ferrez.
Orçamento Recorde – O orçamento da Funarte para 2010 é de R$ 101,6 milhões – sete vezes maior que o de 2003, e o maior em vinte anos de história da Fundação. Os programas foram elaborados a partir das diretrizes do Plano Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura, com ampla participação da sociedade, por meio de diversos encontros com a diretoria colegiada da instituição e com os Colegiados Setoriais. Os projetos inscritos são analisados por comissões externas, contando sempre com representantes de todas as regiões brasileiras. As inscrições estão abertas em todo o país.
Além de editais para a ocupação de galerias e outros espaços expositivos, foram lançadas 11 seleções públicas para projetos de música e de artes cênicas a serem desenvolvidos em salas de espetáculos e teatros no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
Ascom Funarte
Mais informações: www.funarte.gov.br - Portal das Artes Funarte
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Progama butiquim do samba
Butiquim do Samba.
Neste sábado á partir das 14 horas, na RBR TV, Canal 38, estréia o programa Butiquim do Samba.
Programa apresentado por Carlinhos Maracanã e Sônia Maria, com produção de Neuza Meireles, que traz um pouco da história do Samba, em Porto Velho e também por outras paragens.
Bate papo e informação sobre o mundo do samba.
O Programa é gravado ás terças, a partir das 19 horas, no Mercado Cultural, com apoio da Fundação Iaripuna e do Zizi.
Neste sábado Butiquim do Samba, ás 14 horas no canal 38, RBR-TV.
Reprise, segunda ás 14 horas, não perca!
Carlinhos Maracanã
Neste sábado á partir das 14 horas, na RBR TV, Canal 38, estréia o programa Butiquim do Samba.
Programa apresentado por Carlinhos Maracanã e Sônia Maria, com produção de Neuza Meireles, que traz um pouco da história do Samba, em Porto Velho e também por outras paragens.
Bate papo e informação sobre o mundo do samba.
O Programa é gravado ás terças, a partir das 19 horas, no Mercado Cultural, com apoio da Fundação Iaripuna e do Zizi.
Neste sábado Butiquim do Samba, ás 14 horas no canal 38, RBR-TV.
Reprise, segunda ás 14 horas, não perca!
Carlinhos Maracanã
ZEKATRACA SEXTA FEIRA
De feira livre a
Mercado Central
Silvio M. Santos
Na festa de inauguração a população vai poder prestigiar o cantor Bado e alguns músicos regionais
No próximo domingo 18, o prefeito de Porto Velho inaugura a reforma do Mercado Central, prédio que fica no quadrilátero formado pelas ruas Percival Farquar, Euclídes da Cunha, Henrique de Dias e Renato Medeiros. De acordo com material distribuído pela assessoria de comunicação da prefeitura, o empreendimento contou com os investimentos de cerca de um milhão e oitocentos mil reais.
Os 79 boxes distribuídos entre bancas de frutas e verduras, açougue, peixaria, lanchonetes e restaurantes vão funcionar a partir deste domingo, 18, das 06 da manhã até as cinco da tarde. “O prefeito Roberto Sobrinho entrega neste domingo à população, o maior e mais confortável mercado da capital”.
Vamos lembrar de como uma feira que funcionava apenas no final de semana se transformou no principal Mercado da cidade de Porto Velho
A Feira Livre
Os agricultores do baixo Madeira e as “banqueiras” que serviam refeições vendiam mingau e outras iguarias típicas da região Amazônica montavam suas bancas na Feira Livre que funcionava em frente ao Mercado Público Municipal (hoje Mercado Cultural) pela rua José do Patrocínio, ainda não existia nem o Palácio Presidente Vargas e nem a Praça Getúlio Vargas. Com a inauguração do Palácio em 1952 a feira foi transferida para o espaço que ficava entre o Clube Internacional (hoje Ferroviário) e a rua Farquar bem em frente ao prédio do Serviço de Água Luz e Força do Território Federal do Guaporé – Salft no espaço onde hoje funciona a sede da Eletrobras/Ceron e em frente ao prédio sede da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (Relógio). Bom, essa feira funcionou até a inauguração do galpão definitivo da Feira Livre de Porto Velho cuja construção aconteceu entre os anos de 1955 e 1956. O galpão foi construído no espaço entre as ruas Farquar, Euclides da Cunha (naquele tempo não tinha esse nome e nem era considerada rua), Henrique Dias e a hoje travessa Renato Medeiros (que também não tinha nome na época). O Galpão quadrado ocupava todo o espaço, só que a parte central não era coberta e era onde ficava um chafariz que abastecia de água os feirantes.
A Feira funcionava de quinta feira ao meio dia de sábado. Quinta feira chegava do Teotônio o Trem da Feira, que estacionava num ramal da Ferrovia nas proximidades da Avenida Farquar e a Lancha do Beiradão do Serviço de Navegação do Madeira (SNM) que trazia os produtos produzidos pelos agricultores que moravam entre São Carlos e Porto Velho. De 15 em 15 dia chegava à lancha do Machado com produtos dos agricultores que moravam em Tabajara, Cachoeira 2 de Novembro e Calama, na realidade com produtos da “Seregipa”. Quando a feira passou a funcionar nesse galpão, comerciantes de Porto Velho também se instalaram e então quando a feira fechava ao meio dia de sábado, esses comerciantes enlonavam seus produtos (sacos de farinha, feijão, arroz etc.) até a quinta feira seguinte, enquanto os colonos que moravam ao longo da Estrada de Ferro embaraçavam no trem da feira de volta para suas colônias e os chamados “Beradeiros” embarcavam na lancha do beiradão retornando às suas localidades.
Na Avenida Farquar, no perímetro da Sete de Setembro até a hoje Travessa Renato Medeiros, existia uma vila de casas (ali vivi minha infância e adolescência), cujos proprietários mantinham comercio de venda de cereais e bebida alcoólica e as famosas “pensões” (se fosse hoje seriam restaurantes) que serviam comida.
Durante aproximadamente dez anos, esse galpão funcionou apenas no modelo feira, aliás, o nome era “FEIRA MODELO”.
O Mercado que surgiu das cinzas
Em 1966 o Mercado Público Municipal (hoje Mercado Cultural), pegou fogo e os comerciantes concessionários dos boxes, de dentro do mercado, além de perderem toda mercadoria, não tinham onde recomeçar. Foi então que o governador e o prefeito da época transformaram o galpão da “Feira Modelo” em Mercado Central.
As paredes foram levantadas e também construíram boxes, o meio foi coberto e ali passaram a funcionar os boxes de venda de verduras, frutas, queijo, legumes, mel e ervas. Na estrada pela Farquar foram instaladas as bancas de venda de peixe e os açougues. Pela Porta da rua Henrique Dias para o lado esquerdo de quem entrava, ficavam os boxes de venda de cereais. Para o lado direito as bancas de vendas de lanches e refeições. Pela Porta da Euclides da Cunha lado esquerdo, uma lanchonete/restaurante e pelo lado direito os banheiros. Pela Porta da Renato Medeiros na entrada, tinha banca de jornal do seu Barroso. Pelo lado direito um açougue e bancas de venda de comida. Pelo lado esquerdo bancas de frutas, raízes, tucupi e outras iguarias.
Quando o prefeito Roberto Sobrinho resolveu reformar o Mercado, mandou construir uma galpão de madeira no meio da rua Henrique Dias. Para quem não sabe, no local onde foi construído esse galpão para abrigar provisoriamente os comerciantes, existiu um dos casarões construídos pela administração da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, onde chegou a funcionar algumas repartições da empresa, com a inauguração do prédio do relógio, funcionou como alojamento dos jogadores do time do futebol do Atlético Clube Ferroviário. Na parte de baixo desse casarão construído em pinho de Riga, os arigós que vinham do Nordeste passaram a morar. Muito antes, o “Quirino” construiu uma de suas choupanas. Quirino era um lunático que viveu em Porto Velho cuja paranóia era montar palhoça para se abrigar, em vários cantos da cidade.
A partir desse domingo, a Henrique Dias passa a dar passagem até a Avenida Farquar e Porto Velho ganha seu mais bonito mercado. “Mercado Central” Inaugurado no dia 18 de abril de 2010.
De feira livre a
Mercado Central
Silvio M. Santos
Na festa de inauguração a população vai poder prestigiar o cantor Bado e alguns músicos regionais
No próximo domingo 18, o prefeito de Porto Velho inaugura a reforma do Mercado Central, prédio que fica no quadrilátero formado pelas ruas Percival Farquar, Euclídes da Cunha, Henrique de Dias e Renato Medeiros. De acordo com material distribuído pela assessoria de comunicação da prefeitura, o empreendimento contou com os investimentos de cerca de um milhão e oitocentos mil reais.
Os 79 boxes distribuídos entre bancas de frutas e verduras, açougue, peixaria, lanchonetes e restaurantes vão funcionar a partir deste domingo, 18, das 06 da manhã até as cinco da tarde. “O prefeito Roberto Sobrinho entrega neste domingo à população, o maior e mais confortável mercado da capital”.
Vamos lembrar de como uma feira que funcionava apenas no final de semana se transformou no principal Mercado da cidade de Porto Velho
A Feira Livre
Os agricultores do baixo Madeira e as “banqueiras” que serviam refeições vendiam mingau e outras iguarias típicas da região Amazônica montavam suas bancas na Feira Livre que funcionava em frente ao Mercado Público Municipal (hoje Mercado Cultural) pela rua José do Patrocínio, ainda não existia nem o Palácio Presidente Vargas e nem a Praça Getúlio Vargas. Com a inauguração do Palácio em 1952 a feira foi transferida para o espaço que ficava entre o Clube Internacional (hoje Ferroviário) e a rua Farquar bem em frente ao prédio do Serviço de Água Luz e Força do Território Federal do Guaporé – Salft no espaço onde hoje funciona a sede da Eletrobras/Ceron e em frente ao prédio sede da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (Relógio). Bom, essa feira funcionou até a inauguração do galpão definitivo da Feira Livre de Porto Velho cuja construção aconteceu entre os anos de 1955 e 1956. O galpão foi construído no espaço entre as ruas Farquar, Euclides da Cunha (naquele tempo não tinha esse nome e nem era considerada rua), Henrique Dias e a hoje travessa Renato Medeiros (que também não tinha nome na época). O Galpão quadrado ocupava todo o espaço, só que a parte central não era coberta e era onde ficava um chafariz que abastecia de água os feirantes.
A Feira funcionava de quinta feira ao meio dia de sábado. Quinta feira chegava do Teotônio o Trem da Feira, que estacionava num ramal da Ferrovia nas proximidades da Avenida Farquar e a Lancha do Beiradão do Serviço de Navegação do Madeira (SNM) que trazia os produtos produzidos pelos agricultores que moravam entre São Carlos e Porto Velho. De 15 em 15 dia chegava à lancha do Machado com produtos dos agricultores que moravam em Tabajara, Cachoeira 2 de Novembro e Calama, na realidade com produtos da “Seregipa”. Quando a feira passou a funcionar nesse galpão, comerciantes de Porto Velho também se instalaram e então quando a feira fechava ao meio dia de sábado, esses comerciantes enlonavam seus produtos (sacos de farinha, feijão, arroz etc.) até a quinta feira seguinte, enquanto os colonos que moravam ao longo da Estrada de Ferro embaraçavam no trem da feira de volta para suas colônias e os chamados “Beradeiros” embarcavam na lancha do beiradão retornando às suas localidades.
Na Avenida Farquar, no perímetro da Sete de Setembro até a hoje Travessa Renato Medeiros, existia uma vila de casas (ali vivi minha infância e adolescência), cujos proprietários mantinham comercio de venda de cereais e bebida alcoólica e as famosas “pensões” (se fosse hoje seriam restaurantes) que serviam comida.
Durante aproximadamente dez anos, esse galpão funcionou apenas no modelo feira, aliás, o nome era “FEIRA MODELO”.
O Mercado que surgiu das cinzas
Em 1966 o Mercado Público Municipal (hoje Mercado Cultural), pegou fogo e os comerciantes concessionários dos boxes, de dentro do mercado, além de perderem toda mercadoria, não tinham onde recomeçar. Foi então que o governador e o prefeito da época transformaram o galpão da “Feira Modelo” em Mercado Central.
As paredes foram levantadas e também construíram boxes, o meio foi coberto e ali passaram a funcionar os boxes de venda de verduras, frutas, queijo, legumes, mel e ervas. Na estrada pela Farquar foram instaladas as bancas de venda de peixe e os açougues. Pela Porta da rua Henrique Dias para o lado esquerdo de quem entrava, ficavam os boxes de venda de cereais. Para o lado direito as bancas de vendas de lanches e refeições. Pela Porta da Euclides da Cunha lado esquerdo, uma lanchonete/restaurante e pelo lado direito os banheiros. Pela Porta da Renato Medeiros na entrada, tinha banca de jornal do seu Barroso. Pelo lado direito um açougue e bancas de venda de comida. Pelo lado esquerdo bancas de frutas, raízes, tucupi e outras iguarias.
Quando o prefeito Roberto Sobrinho resolveu reformar o Mercado, mandou construir uma galpão de madeira no meio da rua Henrique Dias. Para quem não sabe, no local onde foi construído esse galpão para abrigar provisoriamente os comerciantes, existiu um dos casarões construídos pela administração da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, onde chegou a funcionar algumas repartições da empresa, com a inauguração do prédio do relógio, funcionou como alojamento dos jogadores do time do futebol do Atlético Clube Ferroviário. Na parte de baixo desse casarão construído em pinho de Riga, os arigós que vinham do Nordeste passaram a morar. Muito antes, o “Quirino” construiu uma de suas choupanas. Quirino era um lunático que viveu em Porto Velho cuja paranóia era montar palhoça para se abrigar, em vários cantos da cidade.
A partir desse domingo, a Henrique Dias passa a dar passagem até a Avenida Farquar e Porto Velho ganha seu mais bonito mercado. “Mercado Central” Inaugurado no dia 18 de abril de 2010.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Memória do Samba
BUTIQUIM DO SAMBA
SILAS DE OLIVEIRA
"Um dia, o sambista Silas de Oliveira amanhecia mais uma vez com seu amigo inseparável Mirinho, ao lado também da inseparável garrafa de cachaça. Talvez permanecessem como aqueles homens de quem Max Ernst disse que nunca saberão. Mas Silas perguntou: ‘Mirinho, você sabe o que é o infinito?’. Talvez nesse momento um outro bêbado fosse anonimamente subindo lá adiante uma ladeira da favela, não precisamente indo para o céu, embora parecesse, na luz irreal daquela manhã. Irreal como são todas as luzes das manhãs que nascem para os olhos daqueles que atravessam insones noites ébrias. O que é certo é que Silas disse: ‘Você vai andando por ali e o infinito vai te acompanhando’. Mirinho comentou envaidecido: ‘Um poeta nos mínimos detalhes, este meu amigo Silas de Oliveira’. A manhã nascia radiosa".
Silas de Oliveira de Assumpção nasceu em Madureira, subúrbio da Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 12 de Outubro de 1916. Desde menino freqüentou as rodas de samba, apesar da resistência do pai, que era pastor protestante e via na música uma ‘manifestação do diabo’. O pai, dono do Colégio Assumpção, arrumou uma vaga de professor para o filho, tão logo ele concluiu o Científico. Ele pretendia que, com a profissão, o filho abandonasse o gosto pela música.
Silas dava aulas de Português, quando começou a namorar uma das alunas, a jovem Elaine dos Santos. Nessa época também fez amizade com o jornaleiro Mano Décio da Viola, que se tornaria seu maior parceiro. Pelas mãos de Elaine e de Mano Décio, Silas sobe os morros cariocas atrás de rodas de samba. Com os dois, freqüenta também os tradicionais pagodes nas casas das ‘tias’ baianas, regados a muita bebida, comida e batucada. Seu talento como compositor começa a se revelar, ainda que timidamente. As visitas a estes locais passam a ser cada vez mais constantes e não tarda para que Silas passe a ser considerado como ‘gente da casa’ nos redutos de samba.
Em 1946, Silas de Oliveira e Mano Décio compõe o samba-enredo ‘Conferência de São Francisco’ ou ‘A Paz Universal’, defendido pelo Prazer da Serrinha, agremiação carnavalesca da qual faziam parte. ‘Forçados’ pelo decreto oficial do então Presidente da República Getúlio Vargas – que exigia que as escolas desfilassem com temáticas nacionalistas em seus enredos –, os compositores acataram a medida e fizeram desfilar pela avenida uma escola organizada em alas com funções definidas dentro do enredo. A partir daquele ano, outras escolas aderiram às idéias do Prazer da Serrinha, moldando-se ao novo estilo de desfile por ela constituído.
Porém, alguns integrantes do Prazer da Serrinha não aceitaram essas inovações, resultando daí a dissidência de vários componentes – que culminaria com a fundação da Império Serrano, em 1947. Silas de Oliveira integra a nova escola desde seu primeiro desfile, do qual se sagrou campeão no carnaval de 1948. No ano seguinte, Mano Décio também aderiu à nova agremiação. Entre 1949 e 1951 o samba vitorioso do Império Serrano trouxe a assinatura de Silas, de Mano Décio ou dos dois. Em 1955 e 1956, mais duas vitórias da dupla na escolha do samba da escola e do Império Serrano na avenida: ‘Exaltação a Caxias’ e ‘O Sonhador de Esmeraldas’.
Silas dedicou 28 anos de sua vida ao Império Serrano e nesse período fez 16 sambas de enredo para a escola, dos quais 14 foram defendidos no desfile oficial. Quando o amigo Mano Décio foi para a Portela, a dupla se desfez. Mas Silas continuou compondo para a Verde-e-Branco de Madureira, muitos dos quais se tornaram clássicos do gênero, como ‘Aquarela do Brasil’ (1964), ‘Os Cinco Bailes da História do Rio’ – em parceria com Dona Ivone Lara e Bacalhau (1965), ‘Glórias e Graças da Bahia’ – com Joacir Santana (1966) e ‘Pernambuco, Leão do Norte’, com o qual enfrentou – e venceu – o antigo parceiro Mano Décio da Viola, que retornava à escola, em 1968. A última parceria dos dois grandes sambistas foi em 1969 com ‘Heróis da Liberdade’, num ano em que o jeito de fazer samba-enredo passava por grandes modificações, sobretudo no andamento acelerado, lembrando marcha militar.
Mano Décio e Silas de Oliveira não se adaptaram a essa nova postura, pois acreditavam que essa mudança era responsável pelo empobrecimento do samba-enredo. Silas ainda tentou adaptar-se aos novos tempos, mas sua influência no Império Serrano já não era mais a mesma. Nos últimos anos de vida, Silas deixou de se envolver com os desfiles de carnaval, limitando-se apenas a freqüentar rodas de samba onde, na sua concepção, o ambiente era mais tranqüilo.
No dia 20 de maio de 1972, Silas de Oliveira foi a uma roda de samba, pensando arranjar dinheiro para matricular uma de suas filhas no vestibular. No momento em cantava ‘Os Cinco Bailes do Rio’, sofreu um enfarto fulminante. Morreu no terreiro, onde passou a maior parte de sua vida. Nos deixou obras-primas como ‘Meu Drama’ (gravada por Cartola como ‘Senhora Tentação’), ‘Apoteose ao Samba’ (com Mano Décio, imortalizada por Jamelão) e ‘Aquarelas do Brasil’ (que recebeu inúmeras gravações, destacando-se a de Elza Soares e a de Martinho da Vila).
Butiquim do Samba!
SILAS DE OLIVEIRA
"Um dia, o sambista Silas de Oliveira amanhecia mais uma vez com seu amigo inseparável Mirinho, ao lado também da inseparável garrafa de cachaça. Talvez permanecessem como aqueles homens de quem Max Ernst disse que nunca saberão. Mas Silas perguntou: ‘Mirinho, você sabe o que é o infinito?’. Talvez nesse momento um outro bêbado fosse anonimamente subindo lá adiante uma ladeira da favela, não precisamente indo para o céu, embora parecesse, na luz irreal daquela manhã. Irreal como são todas as luzes das manhãs que nascem para os olhos daqueles que atravessam insones noites ébrias. O que é certo é que Silas disse: ‘Você vai andando por ali e o infinito vai te acompanhando’. Mirinho comentou envaidecido: ‘Um poeta nos mínimos detalhes, este meu amigo Silas de Oliveira’. A manhã nascia radiosa".
Silas de Oliveira de Assumpção nasceu em Madureira, subúrbio da Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 12 de Outubro de 1916. Desde menino freqüentou as rodas de samba, apesar da resistência do pai, que era pastor protestante e via na música uma ‘manifestação do diabo’. O pai, dono do Colégio Assumpção, arrumou uma vaga de professor para o filho, tão logo ele concluiu o Científico. Ele pretendia que, com a profissão, o filho abandonasse o gosto pela música.
Silas dava aulas de Português, quando começou a namorar uma das alunas, a jovem Elaine dos Santos. Nessa época também fez amizade com o jornaleiro Mano Décio da Viola, que se tornaria seu maior parceiro. Pelas mãos de Elaine e de Mano Décio, Silas sobe os morros cariocas atrás de rodas de samba. Com os dois, freqüenta também os tradicionais pagodes nas casas das ‘tias’ baianas, regados a muita bebida, comida e batucada. Seu talento como compositor começa a se revelar, ainda que timidamente. As visitas a estes locais passam a ser cada vez mais constantes e não tarda para que Silas passe a ser considerado como ‘gente da casa’ nos redutos de samba.
Em 1946, Silas de Oliveira e Mano Décio compõe o samba-enredo ‘Conferência de São Francisco’ ou ‘A Paz Universal’, defendido pelo Prazer da Serrinha, agremiação carnavalesca da qual faziam parte. ‘Forçados’ pelo decreto oficial do então Presidente da República Getúlio Vargas – que exigia que as escolas desfilassem com temáticas nacionalistas em seus enredos –, os compositores acataram a medida e fizeram desfilar pela avenida uma escola organizada em alas com funções definidas dentro do enredo. A partir daquele ano, outras escolas aderiram às idéias do Prazer da Serrinha, moldando-se ao novo estilo de desfile por ela constituído.
Porém, alguns integrantes do Prazer da Serrinha não aceitaram essas inovações, resultando daí a dissidência de vários componentes – que culminaria com a fundação da Império Serrano, em 1947. Silas de Oliveira integra a nova escola desde seu primeiro desfile, do qual se sagrou campeão no carnaval de 1948. No ano seguinte, Mano Décio também aderiu à nova agremiação. Entre 1949 e 1951 o samba vitorioso do Império Serrano trouxe a assinatura de Silas, de Mano Décio ou dos dois. Em 1955 e 1956, mais duas vitórias da dupla na escolha do samba da escola e do Império Serrano na avenida: ‘Exaltação a Caxias’ e ‘O Sonhador de Esmeraldas’.
Silas dedicou 28 anos de sua vida ao Império Serrano e nesse período fez 16 sambas de enredo para a escola, dos quais 14 foram defendidos no desfile oficial. Quando o amigo Mano Décio foi para a Portela, a dupla se desfez. Mas Silas continuou compondo para a Verde-e-Branco de Madureira, muitos dos quais se tornaram clássicos do gênero, como ‘Aquarela do Brasil’ (1964), ‘Os Cinco Bailes da História do Rio’ – em parceria com Dona Ivone Lara e Bacalhau (1965), ‘Glórias e Graças da Bahia’ – com Joacir Santana (1966) e ‘Pernambuco, Leão do Norte’, com o qual enfrentou – e venceu – o antigo parceiro Mano Décio da Viola, que retornava à escola, em 1968. A última parceria dos dois grandes sambistas foi em 1969 com ‘Heróis da Liberdade’, num ano em que o jeito de fazer samba-enredo passava por grandes modificações, sobretudo no andamento acelerado, lembrando marcha militar.
Mano Décio e Silas de Oliveira não se adaptaram a essa nova postura, pois acreditavam que essa mudança era responsável pelo empobrecimento do samba-enredo. Silas ainda tentou adaptar-se aos novos tempos, mas sua influência no Império Serrano já não era mais a mesma. Nos últimos anos de vida, Silas deixou de se envolver com os desfiles de carnaval, limitando-se apenas a freqüentar rodas de samba onde, na sua concepção, o ambiente era mais tranqüilo.
No dia 20 de maio de 1972, Silas de Oliveira foi a uma roda de samba, pensando arranjar dinheiro para matricular uma de suas filhas no vestibular. No momento em cantava ‘Os Cinco Bailes do Rio’, sofreu um enfarto fulminante. Morreu no terreiro, onde passou a maior parte de sua vida. Nos deixou obras-primas como ‘Meu Drama’ (gravada por Cartola como ‘Senhora Tentação’), ‘Apoteose ao Samba’ (com Mano Décio, imortalizada por Jamelão) e ‘Aquarelas do Brasil’ (que recebeu inúmeras gravações, destacando-se a de Elza Soares e a de Martinho da Vila).
Butiquim do Samba!
terça-feira, 13 de abril de 2010
A lenda do respeito
Existe uma lenda em Porto Velho, que as estrelas no céu passaram a brilhar com mais intensidade quando a sexta feira chega, trazendo em sua grandeza uma viagem pela história da nossa gente. Esta lenda nasceu em uma praça com violões e tamboris iluminados pela luz vinda da alma de músicos que cantam os nossos bairros, os nossos poetas, boêmios e uma Porto Velho que precisa ser lembrada em versos e prosas. Diz à lenda que o sangue que corre nas veias destes músicos é como águas barrentas do velho Madeira. Sangue que flui em notas musicais e lindas canções, que o vento leva a todos os cantos do Triângulo, Mocambo, Baixa da União, Caiari e todos os nossos bairros que precisam saber da nossa história. Diz à lenda que as sextas feira eram tristes em frente à Praça Getúlio Vargas. Eram silenciosas e cheias de melancolia. Diz à lenda que junto das cinzas e entulhos que ficaram na lembrança de quem sabe a história, restou uma fênix beradeira que fez renascer um pedaço da nossa história cultural. Diz à lenda que entre mortos e feridos, restaram pedaços de uma resistência intensa cantada aos quatro cantos de nossa Porto Velho, tão querida. E soam os tambores, violões, pandeiros, tamborins, cavaquinhos, repique de mão, um surdo na marcação, fazendo a nossa população aplaudir as estrelas do céu que passaram a brilhar com mais intensidade. E essas estrelas nos observam com os nomes de Babá, Manga Rosa. Estrelas que brilham entre a gente como Silvio Santos e Bainha. Diz à lenda que quando soam os tambores na sexta feira, Santa Bárbara renasce, a Favela se ilumina, O alto do Bode cria vida, até ouve-se a seresta no Imperial. Diz à lenda que querem que volte o tempo dos generais. Generais sem farda que não querem respeitar a nossa cultura, e ocupar as sextas feira com um toque de recolher, para que se cale uma história que muitos pegaram pela metade. Diz à lenda que vindos da margem direita do Madeira cavaleiros armados com suas poesias, versos, músicas e instrumentos musicais, lutarão como nunca para que as estrelas continuem sempre a brilhar no céu incomodando o sono das andorinhas para que quando o sol desponte traga todo o seu calor aos corações que sabem que amar Porto Velho é amar a história da nossa gente.
Beto Ramos
betoramospvh@hotmail.com.br
Existe uma lenda em Porto Velho, que as estrelas no céu passaram a brilhar com mais intensidade quando a sexta feira chega, trazendo em sua grandeza uma viagem pela história da nossa gente. Esta lenda nasceu em uma praça com violões e tamboris iluminados pela luz vinda da alma de músicos que cantam os nossos bairros, os nossos poetas, boêmios e uma Porto Velho que precisa ser lembrada em versos e prosas. Diz à lenda que o sangue que corre nas veias destes músicos é como águas barrentas do velho Madeira. Sangue que flui em notas musicais e lindas canções, que o vento leva a todos os cantos do Triângulo, Mocambo, Baixa da União, Caiari e todos os nossos bairros que precisam saber da nossa história. Diz à lenda que as sextas feira eram tristes em frente à Praça Getúlio Vargas. Eram silenciosas e cheias de melancolia. Diz à lenda que junto das cinzas e entulhos que ficaram na lembrança de quem sabe a história, restou uma fênix beradeira que fez renascer um pedaço da nossa história cultural. Diz à lenda que entre mortos e feridos, restaram pedaços de uma resistência intensa cantada aos quatro cantos de nossa Porto Velho, tão querida. E soam os tambores, violões, pandeiros, tamborins, cavaquinhos, repique de mão, um surdo na marcação, fazendo a nossa população aplaudir as estrelas do céu que passaram a brilhar com mais intensidade. E essas estrelas nos observam com os nomes de Babá, Manga Rosa. Estrelas que brilham entre a gente como Silvio Santos e Bainha. Diz à lenda que quando soam os tambores na sexta feira, Santa Bárbara renasce, a Favela se ilumina, O alto do Bode cria vida, até ouve-se a seresta no Imperial. Diz à lenda que querem que volte o tempo dos generais. Generais sem farda que não querem respeitar a nossa cultura, e ocupar as sextas feira com um toque de recolher, para que se cale uma história que muitos pegaram pela metade. Diz à lenda que vindos da margem direita do Madeira cavaleiros armados com suas poesias, versos, músicas e instrumentos musicais, lutarão como nunca para que as estrelas continuem sempre a brilhar no céu incomodando o sono das andorinhas para que quando o sol desponte traga todo o seu calor aos corações que sabem que amar Porto Velho é amar a história da nossa gente.
Beto Ramos
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