Brasil Colônia
O Quilombo do Quariterê
Este texto é uma colaboração do Professor João de Medeiros Alves ao HISTORIANET
Como marco oficial, a História de Mato Grosso iniciou-se, em 1719, nas margens do rio Coxipó-Mirim, com a descoberta de ouro pelos homens que acompanhavam o bandeirante Pascoal Moreira Cabral.
Com o sucesso da mineração e a necessidade de garantir para Portugal, a posse de terras além Tratado de Tordesilhas, foi criado em 1748 a Capitania de Mato Grosso, sendo a primeira capital Vila Bela da Santíssima Trindade, na extremidade oeste do território colonial.
Para trabalhar na mineração, chegaram, no século XVIII, em Mato Grosso, os primeiros escravos de origem africana. Como resistência à escravidão, as fugas foram constantes, sendo individuais ou coletivas, formando diversos quilombos. Por ocasião da presença da capital â?? Vila Bela da Santíssima Trindade â?? a região do vale do rio Guaporé foi onde houve maior concentração dessas aldeias de escravos fugitivos.
O quilombo do Piolho ou Quariterê, no final do século XVIII, localizado próximo ao rio Piolho, ou Quariterê, reuniu negros nascidos na África e no Brasil, índios e mestiços de negros e índios (cafuzos). José Piolho, provavelmente foi o primeiro chefe do quilombo. Depois, assumiu o poder sua esposa, Teresa.
Fugidos da exploração branca, os habitantes do quilombo conviviam comunitariamente em uma fusão de elementos culturais de origem indígena e africana. Os homens caçavam, lenhavam, cuidavam dos animais e conseguiam mel na mata; as mulheres preparavam os alimentos e fabricavam panelas com barro, artesanato e roupas.
As dificuldades de abastecimento, principalmente de escravos, com que constantemente conviviam os habitantes da região guaporeana, levou-os a organizar uma bandeira para atacar os escravos fugitivos.
O poder público, através da Câmara Municipal de Vila Bela da Santíssima Trindade, e os proprietários de escravos patrocinaram a bandeira para destruir o quilombo e recapturar seus moradores.
A bandeira contendo cerca de trinta homens e comandada por João Leme de Prado, percorreu um mês de Vila Bela até o quilombo, e, de surpresa, atacou-o, prendendo quase a totalidade dos moradores. Alguns morreram no combate que se travou, outros fugiram.
Os escravos que sobreviveram foram capturados e levados para Vila Bela, sendo colocados para reconhecimento público, a mando do capitão-general de Mato Grosso Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres e após o ato de reconhecimento, os escravos foram submetidos a outros momentos de castigos, com surras, tendo parte de suas orelhas cortadas e tatuados o rosto com a letra "F" â?? de Fugitivo â?? feita com ferro em brasa.
O objetivo da repressão era intimidar novas fugas, porém, a vontade, o desejo e a luta pela liberdade era maior que essa humilhação. Tal conquista esteve presente por um bom tempo e em 1791 â?? duas décadas após a primeira â?? uma segunda bandeira foi organizada para recapturar negros fugitivos e, finalmente, acabar com o quilombo do Quariterê.
Comandada pelo alferes de dragão, Francisco Pedro de Melo, a bandeira de 1791 continha 45 homens que destruíram as edificações e plantações do quilombo, recapturando sua população e devolvendo aos seus donos, em Vila Bela. Porém, percebendo a ineficiência dos castigos físicos, os escravos não mais foram torturados publicamente.
Outros quilombos na região também foram destruídos, inclusive ao comando do mesmo alferes, Francisco de Melo, que assolou os quilombos de "João Félix" e o do "Mutuca".
No local do quilombo do Piolho, após sua destruição a mando do capitão-general João de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, foi organizada uma aldeia â?? a Aldeia da Carlota â?? que visava o interesse português em garantir a posse da terra num local tão isolado. Os moradores da aldeia contavam com o apoio do governador.
Outros quilombos também foram organizados em terras mato-grossenses durante os séculos XVIII e XIX, podendo ser registrados aqui, apenas para exemplificar, os quilombos "Mutuca" e "Pindaituba", situados na Chapada dos Guimarães, os "Sepoutuba" e "Rio Manso", próximos a Vila Maria (atual Cáceres).
A historiadora Elizabeth Madureira refere-se à organização de 11 quilombos em Mato Grosso, porém registra o pouco que ainda foi percorrido e pesquisado sobre o assunto.
Referências Bibliográficas:
SIQUEIRA, Elizabeth Madureira e outras. O Processo Histórico de Mato Grosso. Cuiabá: Guaicurus, 1991.
SIQUEIRA, Elizabeth Madureira. Revivendo Mato Grosso. Cuiabá: SEDUC, 1997.
* João de Medeiros Alves ( ajmedeiros@uol.com.br )
Lic. e Bacharel em História pela UFMT e mestrando em Educação pela UCDB/MS.
Professor no Colégio São Gonçalo e na Escola Estadual Salim Felício -- Cuiabá/MT.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Novembro Mês da Consciência Negra
Rotas da escravidão
É difícil saber quantos africanos foram trazidos para o Brasil ao longo de três séculos de tráfico negreiro. Muitos registros que poderiam tornar os dados mais precisos foram perdidos ou destruídos. As estimativas indicam que entre 3.300.000 e oito milhões de pessoas desembarcaram nos portos brasileiros para serem vendidas como escravas, de meados do século XVI até 1850, quando o tráfico foi efetivamente abolido pela Lei Eusébio de Queiroz.
As quatro principais rotas dos navios negreiros que ligaram o continente africano ao Brasil foram as da Guiné, Mina, Angola e Moçambique. Elas concentravam o comércio de seres humanos que, na maioria dos casos, eram aprisionados em guerras feitas por chefes tribais, reis ou sobas africanos para esse fim. Os traficantes, principalmente portugueses, mas também de outras nações européias e posteriormente brasileiros, obtinham os prisioneiros em troca de armas de fogo, tecidos, espelhos, utensílios de vidro, de ferro, tabaco e aguardente, entre outros. Os navios, dependendo do tipo, traziam de 300 a 600 cativos por vez. Entre 10% e 20% deles morriam na viagem.
Rota da Guiné
No século XVI, a Alta Guiné foi o principal núcleo de obtenção de africanos para serem escravizados pelos traficantes portugueses. De Cabo Verde, saíam navios com cativos vindos principalmente da região onde hoje se situam Guiné-Bissau, Senegal, Mauritânia, Gâmbia, Serra Leoa, Libéria e Costa do Marfim. Essa área era habitada por diferentes povos, entre os quais os balantas, fulas, mandingas, manjacos, diolas, uolofes e sereres.
O destino desses prisioneiros, no Brasil, eram as regiões Nordeste e Norte. Mas a Rota da Guiné teve menor impacto sobre a formação da população brasileira do que as outras rotas, pois a necessidade de mão-de-obra nas Américas ainda era pequena no primeiro século da colonização.
Rota da Mina
A fortaleza de São Jorge da Mina foi erguida pelos portugueses por volta de 1482 na costa da atual Gana, para proteger o comércio de ouro na região. Embora tomada pelos holandeses em 1632, ela se tornaria, ainda no século XVII, um importante entreposto do tráfico de africanos escravizados para o Brasil e outros países.
Os africanos embarcados na Mina (ou Elmina) e nos outros portos do Golfo da Guiné eram principalmente dos grupos axanti, fanti, iorubá, hauçá, ibô, fon, ewe-fon, bariba e adjá. Além de Gana, eles eram trazidos dos atuais territórios de Burkina Faso, Benim, Togo, Nigéria, sul do Níger, Chad, norte do Congo e norte do Gabão, para atender à crescente demanda por mão-de-obra ocasionada pelo desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar no Brasil e no Caribe. Os portos brasileiros, do Maranhão ao Rio de Janeiro, com destaque para Salvador, foram abastecidos por essa rota até a primeira metade do século XIX.
Rota de Angola
Essa rota forneceu cerca de 40% dos 10 milhões de africanos trazidos para as Américas. No caso do Brasil, os navios que partiam da costa dos atuais territórios do Congo e de Angola se destinavam principalmente aos portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Os povos da África Central Atlântica, como os ovimbundos, bacongos, ambundos e muxicongos, pertenciam ao chamado grupo linguístico banto, que reúne cerca de 450 línguas.
O tráfico dessa região para o Brasil começou ainda no século XVI. Foi inicialmente marcado pela aliança entre os portugueses e o reino do Congo. Mas, para escapar do monopólio do rei congolês no fornecimento de africanos escravizados, Portugal passou a concentrar esforços na região mais ao sul, onde hoje se situa Angola. De lá, veio a maior parte dos africanos que entraram no Brasil, principalmente pelo Rio de Janeiro, no período colonial.
Rota de Moçambique
No início do século XIX, a Inglaterra passou a pressionar Portugal no sentido de acabar com o tráfico negreiro, o que resultou nos tratados de 1810 entre os dois países. Para escapar ao controle britânico na maior parte do Atlântico, muitos traficantes se voltaram para uma rota até então pouco explorada, que partia da África Oriental. Os navios saíam principalmente dos portos de Lourenço Marques (atual Maputo), Inhambane e Quelimane, em Moçambique, e se dirigiam ao Rio de Janeiro.
Africanos embarcados nesses portos pertenciam a uma diversidade de povos, entre os quais os macuas, swazis, macondes e ngunis, e ganhavam no Brasil a designação geral de "moçambiques". Entre 18% a 27% da população africana no Rio do século XIX era de moçambiques. No entanto, nem todos vinham da colônia portuguesa e, sim, de regiões vizinhas – onde hoje estão Quênia, Tanzânia, Malauí, Zâmbia, Zimbábue, África do Sul e Madagascar. O grupo linguístico majoritário era o banto.
É difícil saber quantos africanos foram trazidos para o Brasil ao longo de três séculos de tráfico negreiro. Muitos registros que poderiam tornar os dados mais precisos foram perdidos ou destruídos. As estimativas indicam que entre 3.300.000 e oito milhões de pessoas desembarcaram nos portos brasileiros para serem vendidas como escravas, de meados do século XVI até 1850, quando o tráfico foi efetivamente abolido pela Lei Eusébio de Queiroz.
As quatro principais rotas dos navios negreiros que ligaram o continente africano ao Brasil foram as da Guiné, Mina, Angola e Moçambique. Elas concentravam o comércio de seres humanos que, na maioria dos casos, eram aprisionados em guerras feitas por chefes tribais, reis ou sobas africanos para esse fim. Os traficantes, principalmente portugueses, mas também de outras nações européias e posteriormente brasileiros, obtinham os prisioneiros em troca de armas de fogo, tecidos, espelhos, utensílios de vidro, de ferro, tabaco e aguardente, entre outros. Os navios, dependendo do tipo, traziam de 300 a 600 cativos por vez. Entre 10% e 20% deles morriam na viagem.
Rota da Guiné
No século XVI, a Alta Guiné foi o principal núcleo de obtenção de africanos para serem escravizados pelos traficantes portugueses. De Cabo Verde, saíam navios com cativos vindos principalmente da região onde hoje se situam Guiné-Bissau, Senegal, Mauritânia, Gâmbia, Serra Leoa, Libéria e Costa do Marfim. Essa área era habitada por diferentes povos, entre os quais os balantas, fulas, mandingas, manjacos, diolas, uolofes e sereres.
O destino desses prisioneiros, no Brasil, eram as regiões Nordeste e Norte. Mas a Rota da Guiné teve menor impacto sobre a formação da população brasileira do que as outras rotas, pois a necessidade de mão-de-obra nas Américas ainda era pequena no primeiro século da colonização.
Rota da Mina
A fortaleza de São Jorge da Mina foi erguida pelos portugueses por volta de 1482 na costa da atual Gana, para proteger o comércio de ouro na região. Embora tomada pelos holandeses em 1632, ela se tornaria, ainda no século XVII, um importante entreposto do tráfico de africanos escravizados para o Brasil e outros países.
Os africanos embarcados na Mina (ou Elmina) e nos outros portos do Golfo da Guiné eram principalmente dos grupos axanti, fanti, iorubá, hauçá, ibô, fon, ewe-fon, bariba e adjá. Além de Gana, eles eram trazidos dos atuais territórios de Burkina Faso, Benim, Togo, Nigéria, sul do Níger, Chad, norte do Congo e norte do Gabão, para atender à crescente demanda por mão-de-obra ocasionada pelo desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar no Brasil e no Caribe. Os portos brasileiros, do Maranhão ao Rio de Janeiro, com destaque para Salvador, foram abastecidos por essa rota até a primeira metade do século XIX.
Rota de Angola
Essa rota forneceu cerca de 40% dos 10 milhões de africanos trazidos para as Américas. No caso do Brasil, os navios que partiam da costa dos atuais territórios do Congo e de Angola se destinavam principalmente aos portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Os povos da África Central Atlântica, como os ovimbundos, bacongos, ambundos e muxicongos, pertenciam ao chamado grupo linguístico banto, que reúne cerca de 450 línguas.
O tráfico dessa região para o Brasil começou ainda no século XVI. Foi inicialmente marcado pela aliança entre os portugueses e o reino do Congo. Mas, para escapar do monopólio do rei congolês no fornecimento de africanos escravizados, Portugal passou a concentrar esforços na região mais ao sul, onde hoje se situa Angola. De lá, veio a maior parte dos africanos que entraram no Brasil, principalmente pelo Rio de Janeiro, no período colonial.
Rota de Moçambique
No início do século XIX, a Inglaterra passou a pressionar Portugal no sentido de acabar com o tráfico negreiro, o que resultou nos tratados de 1810 entre os dois países. Para escapar ao controle britânico na maior parte do Atlântico, muitos traficantes se voltaram para uma rota até então pouco explorada, que partia da África Oriental. Os navios saíam principalmente dos portos de Lourenço Marques (atual Maputo), Inhambane e Quelimane, em Moçambique, e se dirigiam ao Rio de Janeiro.
Africanos embarcados nesses portos pertenciam a uma diversidade de povos, entre os quais os macuas, swazis, macondes e ngunis, e ganhavam no Brasil a designação geral de "moçambiques". Entre 18% a 27% da população africana no Rio do século XIX era de moçambiques. No entanto, nem todos vinham da colônia portuguesa e, sim, de regiões vizinhas – onde hoje estão Quênia, Tanzânia, Malauí, Zâmbia, Zimbábue, África do Sul e Madagascar. O grupo linguístico majoritário era o banto.
MUTO BOM!
Curso de Desenho de Som Capitação em Porto Velho
CURSO
Henrique Dantas, Hans Herold e Nicolas Hallet entrevistando Paulinho Boca
O CANNE- Centro Audiovisual Norte-Nordeste, continua descentralizando as oportunidades de formação de profissionais da área técnica do Audiovisual das regiões Nordeste e Norte e leva para Porto Velho, em parceria com a SECEL e ABD/RO o curso de DESENHO DE SOM – CAPTAÇÃO com Nicolas Hallet.
NICOLAS HALLET
Diretor, roteirista e técnico de som, formado em Cinema e Vídeo na Academie de Beaux Arts de Bruxelles, na Bélgica. Ministra cursos de captação de som desde 1999 no Brasil. Já trabalhou em dezenas de filmes, dentre eles: "Pau Brasil", de Fernando Bélens; "KFZ 1348" de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso, recebeu o prêmio de melhor som no Festival Cine Ceará de 2005 pelo áudio do filme "Entre Paredes", de Eric Laurence; melhor som em dois filmes de Brasília 2010: no premiado “Ave Maria Ou Mãe Dos Sertanejos”, de Camilo Cavalcante e “Azul”, de Eric Laurence.
O CURSO
Tem como objetivo o aprimoramento dos profissionais de áudio e tratará de conteúdos que vão desde a arte da captação até noções de física do som e acústica, o processo de gravação e suas adversidades, a importância de um projeto sonoro e a passagem do analógico para o digital. Conteúdos: Operador de Áudio - um trabalho artesanal. Noções de física do som, de acústica, de paisagem sonora. O processo de gravação microfones, mixer e gravadores. Diferentes captações, dependentes do formato: reportagem, documentário, propaganda, ficção. Relações com os outros departamentos da produção. A importância de um projeto sonoro: o Desenho de Som. Captação de Áudio em meio interno. Trabalho com a acústica do lugar, uso dos microfones adaptados, revisão do material. Captação de Áudio em meio externo. Trabalho com ambiente: Organizar o material captado, passagem do analógico para o digital, do digital para a ilha de edição, sincronização.
PRÉ-REQUISITOS PARA SELEÇÃO
Pessoas interessadas em treinamento e atualização na área de captação de áudio em vídeo/cinema, o candidato deverão ter alguma experiência de captação de áudio em vídeo/cinema ou em estúdio de som.
Período de 8 à 13 de Novembro em Porto Velho. Vagas Limitadas e gratuitas.
Informações e inscrições: abdrondonia@yahoo.com.br
Fonte: Canne/ABD/RO
CURSO
Henrique Dantas, Hans Herold e Nicolas Hallet entrevistando Paulinho Boca
O CANNE- Centro Audiovisual Norte-Nordeste, continua descentralizando as oportunidades de formação de profissionais da área técnica do Audiovisual das regiões Nordeste e Norte e leva para Porto Velho, em parceria com a SECEL e ABD/RO o curso de DESENHO DE SOM – CAPTAÇÃO com Nicolas Hallet.
NICOLAS HALLET
Diretor, roteirista e técnico de som, formado em Cinema e Vídeo na Academie de Beaux Arts de Bruxelles, na Bélgica. Ministra cursos de captação de som desde 1999 no Brasil. Já trabalhou em dezenas de filmes, dentre eles: "Pau Brasil", de Fernando Bélens; "KFZ 1348" de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso, recebeu o prêmio de melhor som no Festival Cine Ceará de 2005 pelo áudio do filme "Entre Paredes", de Eric Laurence; melhor som em dois filmes de Brasília 2010: no premiado “Ave Maria Ou Mãe Dos Sertanejos”, de Camilo Cavalcante e “Azul”, de Eric Laurence.
O CURSO
Tem como objetivo o aprimoramento dos profissionais de áudio e tratará de conteúdos que vão desde a arte da captação até noções de física do som e acústica, o processo de gravação e suas adversidades, a importância de um projeto sonoro e a passagem do analógico para o digital. Conteúdos: Operador de Áudio - um trabalho artesanal. Noções de física do som, de acústica, de paisagem sonora. O processo de gravação microfones, mixer e gravadores. Diferentes captações, dependentes do formato: reportagem, documentário, propaganda, ficção. Relações com os outros departamentos da produção. A importância de um projeto sonoro: o Desenho de Som. Captação de Áudio em meio interno. Trabalho com a acústica do lugar, uso dos microfones adaptados, revisão do material. Captação de Áudio em meio externo. Trabalho com ambiente: Organizar o material captado, passagem do analógico para o digital, do digital para a ilha de edição, sincronização.
PRÉ-REQUISITOS PARA SELEÇÃO
Pessoas interessadas em treinamento e atualização na área de captação de áudio em vídeo/cinema, o candidato deverão ter alguma experiência de captação de áudio em vídeo/cinema ou em estúdio de som.
Período de 8 à 13 de Novembro em Porto Velho. Vagas Limitadas e gratuitas.
Informações e inscrições: abdrondonia@yahoo.com.br
Fonte: Canne/ABD/RO
Novembro Mês da Consciência Negra
WILSON NICOLA
Viajei por tantos mares
Atravessei tantos mundos
Tornei-me um deus desterrado
Dentro de um outro terreiro
Um a um perdi meus reinos
Meus tesouros meus assuntos
Mas serei um deus guerreiro.
Mesmo que um navio negreiro
Me leve pra outro mundo
Sou oxum e iemanjá
Sou os ventos de iansã
Beleza, força, coragem
Todas na grande viagem
Vem junto obá e nanã
Sou ogum e sou xangô
Sou oxóssi o caçador
Ferro, fogo e paciência
Levados pra terra estranha
Sem hoje, só, amanhã
Viajei por tantos mares
Atravessei tantos mundos
Tornei-me um deus desterrado
Dentro de um outro terreiro
Um a um perdi meus reinos
Meus tesouros meus assuntos
Mas serei um deus guerreiro.
Mesmo que um navio negreiro
Me leve pra outro mundo
Sou oxum e iemanjá
Sou os ventos de iansã
Beleza, força, coragem
Todas na grande viagem
Vem junto obá e nanã
Sou ogum e sou xangô
Sou oxóssi o caçador
Ferro, fogo e paciência
Levados pra terra estranha
Sem hoje, só, amanhã
Novembro Mês da Consciência Negra
Mano assim como voce, que esperou que alguém "mais abalizado",
lembrasse de um dos principais ícones da Universidade Diplomata do
Samba - Leônidas -, eu também esperei que algum "bamba" registrasse os
ensinamentos de nosso mestre Nelson Sargente, em letras de samba. Já
que não veio, passo à suas mãso os rascunhos, sem pretenção. Use e
abuse.
Abraços
zola
Como disse o mestre Nelson Sargento
O samba veio nos navios negreiros
Atravessando o oceano
Carregando em seus porões
Dor, saudade e lamentos
Nasceu para cantar
O que se passou
Na travessia do mar
A morte, a fome, acoite e a desilusão
Sua cadência trazemos pra avenida
Nos passos das passistas
No ronco da cuíca, pandeiros e tamborins
A bateria do enorme porão
E assim diz o mestre da Mangueira
Essa história esquecida
Que insiste em continuar
lembrasse de um dos principais ícones da Universidade Diplomata do
Samba - Leônidas -, eu também esperei que algum "bamba" registrasse os
ensinamentos de nosso mestre Nelson Sargente, em letras de samba. Já
que não veio, passo à suas mãso os rascunhos, sem pretenção. Use e
abuse.
Abraços
zola
Como disse o mestre Nelson Sargento
O samba veio nos navios negreiros
Atravessando o oceano
Carregando em seus porões
Dor, saudade e lamentos
Nasceu para cantar
O que se passou
Na travessia do mar
A morte, a fome, acoite e a desilusão
Sua cadência trazemos pra avenida
Nos passos das passistas
No ronco da cuíca, pandeiros e tamborins
A bateria do enorme porão
E assim diz o mestre da Mangueira
Essa história esquecida
Que insiste em continuar
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Para Refletir Democraticamente!
Empreiteiras e Banqueiros doaram mais de dois BILHÕES aos candidatos e partidos em todo o Brasil
“Tudo em nome da democracia e da erradicação da miséria”
Os números até agora contabilizados pelo TSE somam mais de 237 milhões de reais e somados as médias e pequenas empreiteiras, banqueiros e as grandes concessionárias de serviços públicos privadas, os números passam de dois bilhões. Nesta conta, não estão os valores repassados via “caixa dois”, aqueles em que todos sabem que doou e ninguém quer registrar que recebeu, porém alimentam as campanhas onde o dinheiro não pode aparecer, já que os candidatos costumam não declarar recursos gastos com espionagem e segurança, gastos com empresas de pesquisas, gastos com postos de gasolina na sua totalidade, gastos com agências de propagandas, gastos com bancas de advogados e gastos principalmente com acertos com lideres religiosas e comunitários no fechamento de votos na semana anterior ao sufrágio. Sem falar dos “cabos eleitorais e formiguinhas” de última honra para votar e pedir votos para a família e a sua comunidade.
Com as prestações de contas junto ao TSE de forma parcial, o retrato de como o dinheiro público vira apoio eleitoral fica evidente já que 90% das empreiteiras, banqueiros, prestadores de serviços e concessionárias que doaram grana viva para os políticos estão com contratos direitos com o governo federal, governos estaduais e até as médias e pequenas empreiteiras com obras municipais ligadas aos convênios do PAC e emendas parlamentares.
Só para esclarecer o volume de desvio de dinheiro público, atualmente o PAC da União comanda um pacote de obras com recursos superiores a 300 bilhões de reais com as grandes empreiteiras e outros 400 bilhões correm em obras federais, estaduais e municipais com obras descentralizadas através de convênios, emendas parlamentares e de bancadas em todo o Brasil.
Os órgãos de fiscalização do governo federal, já auditaram 70% das obras do PAC – Plano de Aceleração do Crescimento e foi detectado superfaturamento, corrupção, desvio de recursos e outras mazelas, que dão uma dimensão do problema e mostra o caminho de grande parte destes bilionários recursos.
As principais empreiteiras que oficialmente doaram foram OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht, Votorantim, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Delta e Serveng-Civilsan juntos já registram o volume de 237 milhões de reais para campanhas nestas eleições, sem computar as duas campanhas de presidente e governadores no segundo turno, que as prestações finais serão apresentadas até o final de novembro de 2010.
No site do TSE, já podemos levantar que 155 milhões de reais foram repassados por meio dos comitês financeiros ou das direções partidárias. Esse valor representa 65% das doações feitas pelas sete maiores construtoras na campanha de primeiro turno.
Os números até o memento são milionários, superiores aos maiores prêmios da mega-sena, ou seja: Queiroz Galvão, com 46,9 milhões de reais, é a primeira colocada em doações por esse formato. Logo em seguida vem a Camargo Correa, com 44 milhões, e Andrade Gutierrez, com 41 milhões e os prêmios partidários seguem caminhos sombrios ligados as grandes obras públicas do PAC e dos cofres públicos.
O que se espera é que até dezembro, prazo final para as analises técnicas e financeiras de todos os candidatos do primeiro e segundo turno, o eleitor ficará sabendo e poderá perceber com as amostras finais dos valores doados por empreiteiros, banqueiros e grandes empresas prestadoras de serviços e outras com obras diretas com os governos federal, estaduais e municipais, que, quem realmente teve chance de vencer as eleições, foram aqueles que receberam “ajuda” financeira indireta dos cofres públicos através das empreiteiras com contratos milionários de obras públicas. “A democracia e as oportunidades de ser eleito aos cargos no Brasil ainda estão atrelados aos grandes partidos ligados diretamente as grandes obras de infra-estruturas”.
Neste trem da alegria e festa do erário indiretamente nas campanhas eleitorais e com os partidos políticos deveremos computar em breve os milionários recursos doados por estatais, ex-estatais privatizadas e os grandes bancos privados. Já com as campanhas regionais de governadores, senadores e deputados, a farra com eleição vem de prestadores de serviços com recursos da educação, saúde e segurança pública, sendo essas empresas terceirizadas e ligadas diretamente aos recursos constitucionais como os maiores doadores locais. Os números aí deverão ser superiores aos 20 bilhões de reais, tudo em nome da democracia e da erradicação da miséria. Será???
Com os dados a serem apurados no próximo ano do valor de recursos oriundos das grandes empreiteiras, banqueiros, prestadores de serviços e concessionárias de serviços tipo telefonia, pedágio, energia elétrica, entre outras, para o financiamento das campanhas eleitorais e a avaliação do custo e benefício, aliado aos formatos legais e os corruptos que escandalizam a cidadania, haja vista as mazelas públicas, com a falta de segurança, saúde e educação pública eficiente, caberá uma urgente reforma política já prometida por todos os eleitos, e quem sabe, o financiamento das campanhas diretamente pelos cofres públicos e punições drásticas às manobras de desvios de condutas com caixa dois eleitoral, sendo essa a formula da ética nos pleitos.
Autor : João Cipriano
Fonte : João Cipriano
“Tudo em nome da democracia e da erradicação da miséria”
Os números até agora contabilizados pelo TSE somam mais de 237 milhões de reais e somados as médias e pequenas empreiteiras, banqueiros e as grandes concessionárias de serviços públicos privadas, os números passam de dois bilhões. Nesta conta, não estão os valores repassados via “caixa dois”, aqueles em que todos sabem que doou e ninguém quer registrar que recebeu, porém alimentam as campanhas onde o dinheiro não pode aparecer, já que os candidatos costumam não declarar recursos gastos com espionagem e segurança, gastos com empresas de pesquisas, gastos com postos de gasolina na sua totalidade, gastos com agências de propagandas, gastos com bancas de advogados e gastos principalmente com acertos com lideres religiosas e comunitários no fechamento de votos na semana anterior ao sufrágio. Sem falar dos “cabos eleitorais e formiguinhas” de última honra para votar e pedir votos para a família e a sua comunidade.
Com as prestações de contas junto ao TSE de forma parcial, o retrato de como o dinheiro público vira apoio eleitoral fica evidente já que 90% das empreiteiras, banqueiros, prestadores de serviços e concessionárias que doaram grana viva para os políticos estão com contratos direitos com o governo federal, governos estaduais e até as médias e pequenas empreiteiras com obras municipais ligadas aos convênios do PAC e emendas parlamentares.
Só para esclarecer o volume de desvio de dinheiro público, atualmente o PAC da União comanda um pacote de obras com recursos superiores a 300 bilhões de reais com as grandes empreiteiras e outros 400 bilhões correm em obras federais, estaduais e municipais com obras descentralizadas através de convênios, emendas parlamentares e de bancadas em todo o Brasil.
Os órgãos de fiscalização do governo federal, já auditaram 70% das obras do PAC – Plano de Aceleração do Crescimento e foi detectado superfaturamento, corrupção, desvio de recursos e outras mazelas, que dão uma dimensão do problema e mostra o caminho de grande parte destes bilionários recursos.
As principais empreiteiras que oficialmente doaram foram OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht, Votorantim, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Delta e Serveng-Civilsan juntos já registram o volume de 237 milhões de reais para campanhas nestas eleições, sem computar as duas campanhas de presidente e governadores no segundo turno, que as prestações finais serão apresentadas até o final de novembro de 2010.
No site do TSE, já podemos levantar que 155 milhões de reais foram repassados por meio dos comitês financeiros ou das direções partidárias. Esse valor representa 65% das doações feitas pelas sete maiores construtoras na campanha de primeiro turno.
Os números até o memento são milionários, superiores aos maiores prêmios da mega-sena, ou seja: Queiroz Galvão, com 46,9 milhões de reais, é a primeira colocada em doações por esse formato. Logo em seguida vem a Camargo Correa, com 44 milhões, e Andrade Gutierrez, com 41 milhões e os prêmios partidários seguem caminhos sombrios ligados as grandes obras públicas do PAC e dos cofres públicos.
O que se espera é que até dezembro, prazo final para as analises técnicas e financeiras de todos os candidatos do primeiro e segundo turno, o eleitor ficará sabendo e poderá perceber com as amostras finais dos valores doados por empreiteiros, banqueiros e grandes empresas prestadoras de serviços e outras com obras diretas com os governos federal, estaduais e municipais, que, quem realmente teve chance de vencer as eleições, foram aqueles que receberam “ajuda” financeira indireta dos cofres públicos através das empreiteiras com contratos milionários de obras públicas. “A democracia e as oportunidades de ser eleito aos cargos no Brasil ainda estão atrelados aos grandes partidos ligados diretamente as grandes obras de infra-estruturas”.
Neste trem da alegria e festa do erário indiretamente nas campanhas eleitorais e com os partidos políticos deveremos computar em breve os milionários recursos doados por estatais, ex-estatais privatizadas e os grandes bancos privados. Já com as campanhas regionais de governadores, senadores e deputados, a farra com eleição vem de prestadores de serviços com recursos da educação, saúde e segurança pública, sendo essas empresas terceirizadas e ligadas diretamente aos recursos constitucionais como os maiores doadores locais. Os números aí deverão ser superiores aos 20 bilhões de reais, tudo em nome da democracia e da erradicação da miséria. Será???
Com os dados a serem apurados no próximo ano do valor de recursos oriundos das grandes empreiteiras, banqueiros, prestadores de serviços e concessionárias de serviços tipo telefonia, pedágio, energia elétrica, entre outras, para o financiamento das campanhas eleitorais e a avaliação do custo e benefício, aliado aos formatos legais e os corruptos que escandalizam a cidadania, haja vista as mazelas públicas, com a falta de segurança, saúde e educação pública eficiente, caberá uma urgente reforma política já prometida por todos os eleitos, e quem sabe, o financiamento das campanhas diretamente pelos cofres públicos e punições drásticas às manobras de desvios de condutas com caixa dois eleitoral, sendo essa a formula da ética nos pleitos.
Autor : João Cipriano
Fonte : João Cipriano
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
FALANDO DE CULTURA !!!
Autor: Marta Porto ?
Essa é a pergunta que me fazem em todos os debates, palestras, aulas e cursos. Passei a última década tentando respondê-la entre a pesquisa e a pratica de campo, nos projetos próprios, nas assessorias técnicas ou nos cargos institucionais. O resultado é uma tentativa de defender o que é essencial, o que não pode faltar, o que define um núcleo celular para a atividade política com e para a cultura, dentre as variedades de visões, propostas e crenças (ideológicas inclusive) que pululam em momentos e governos diferentes.
O propósito de uma política de cultura é ampliar a subjetividade das pessoas e com isso as oportunidades de escolhas simbólicas sobre si, o mundo que a cerca e os sonhos que nutre ao longo da vida. Por subjetividade entendo todo o campo que ativa a imaginação, a criatividade, o sonho e a sensibilidade diante de experiências estéticas e de dilemas éticos. Parto desse ponto, para definir os dois principais desafios para as políticas de cultura hoje, em especial no Brasil: o desenvolvimento estético e ético (valores) de uma sociedade. Não ignoro a importância econômica da cultura e nem os seus impactos sociais, e disso já tratei em vários textos publicados aqui, mas estimular a sensibilidade estética é algo que só cabe as políticas de cultura e ao fazer isso com ações que promovam o diálogo e a noção de alteridade é possível iniciar aquilo que Ananás Mockus, em Bogotá, intitulou de “cultura cidadã”, um projeto (ethos) comum de como projetamos a nossa vida em sociedade, como a imaginamos para além da realidade do aqui e agora.
Essa liberdade de imaginar a nossa vida individual ou em sociedade de forma criativa, rompendo com o senso comum da leitura ad nauseum dos indicadores socioeconômicos, em ação de deslocamento momentâneo dessa realidade para uma imaginação ativa e criativa, é uma grande contribuição das boas políticas de cultura para sociedades em qualquer momento de sua história. Para isso é preciso que as experiências vivenciadas pelos indivíduos desde a infância sejam ricas, sejam de qualidade do ponto de vista do conteúdo e da forma. Experiências capazes de promover o que o filósofo Renato Janine Ribeiro propõe ” é cultural toda a experiência da qual saio diferente - e mais rico - do que era antes. Seja o que for, um livro, um filme, uma exposição: estou no mundo da cultura quando isso não apenas me dá prazer (me diverte, me entretém), mas me abre a cabeça, ou para falar bonito, amplia o meu mundo emocional, aumenta a minha compreensão do mundo em que vivo, e assim, me torna mais livre para escolher o meu destino”.
É fácil? Não, não é. Primeiro porque exige uma reconceituação do que queremos com nossas politicas de cultura, depois impregnar a gestão (programas, formação de RH, infra-estrutura institucional, orçamento) de uma potência que ela ainda não tem. Em outras palavras, é preciso inovar. E entender que ricos e pobres tem direito de compartilhar a mesma qualidade de repertórios artísticos, de trocarem experiências entre si e com diferentes formas de pensar e viver o mundo, de compreenderem a história cultural desse país e da humanidade com programas e técnicas atrativos que inspirem as mais diversas faixas etárias e segmentos sociais. Enfim, de vivenciarem a experiência cultural naquilo que ela tem de mais radical: a magia de sentir-se tocado pelo espírito que anima a existência. Um percurso para pensar as politicas de cultura? Programas capazes de promover inspiração, experimentação e por fim, a criação de linguagens próprias, mas em constante diálogo com o que não conheço.
O que deve mover as politicas de cultura é reinventar os imaginários pessoais e coletivos, permitindo aos indivíduos a liberdade de fazerem escolhas que poderiam inicialmente parecer disparatadas, ou impossíveis. É estimular o sonho, a liberdade de espírito que nos leva a produzir outras formas de estar juntos. Memória e experimentação são dois elementos centrais para garantir a qualidade desse percurso. O que mais? Acreditar. Ousar. Libertar-se dos modismos atuais que pregam que válido é só o que promove “inclusão” ou que reduz indicadores de violência, ou de vulnerabilidade sociais. Por experiência própria, sei que um bom programa de cultura é capaz de virar para o bem a cabeça de muitos que dele participam, mas o mote é sempre o desenvolvimento, a oportunidade, a elegância de crer na potência, sem que ela seja interditada pelo conservadorismo de plantão que distingue “quem pode mais e quem pode menos”. Na cultura e na arte, podem todos os que encontram oportunidades para se expressar e se modificar, por que a varinha mágica do espírito aberto e fraterno algum dia os tocou. Se nessa trajetória aprendemos a LER, VER - a nós mesmos, ao mundo que vivemos, aos conteúdos que nos oferecem - e estar LÁ e AQUI, sem falsos moralismos, nem identidades que se tornam guetos, nossa tarefa está iniciada, já que em cultura, nada e nunca é concluído.
Diz a lenda Marta Porto!
Essa é a pergunta que me fazem em todos os debates, palestras, aulas e cursos. Passei a última década tentando respondê-la entre a pesquisa e a pratica de campo, nos projetos próprios, nas assessorias técnicas ou nos cargos institucionais. O resultado é uma tentativa de defender o que é essencial, o que não pode faltar, o que define um núcleo celular para a atividade política com e para a cultura, dentre as variedades de visões, propostas e crenças (ideológicas inclusive) que pululam em momentos e governos diferentes.
O propósito de uma política de cultura é ampliar a subjetividade das pessoas e com isso as oportunidades de escolhas simbólicas sobre si, o mundo que a cerca e os sonhos que nutre ao longo da vida. Por subjetividade entendo todo o campo que ativa a imaginação, a criatividade, o sonho e a sensibilidade diante de experiências estéticas e de dilemas éticos. Parto desse ponto, para definir os dois principais desafios para as políticas de cultura hoje, em especial no Brasil: o desenvolvimento estético e ético (valores) de uma sociedade. Não ignoro a importância econômica da cultura e nem os seus impactos sociais, e disso já tratei em vários textos publicados aqui, mas estimular a sensibilidade estética é algo que só cabe as políticas de cultura e ao fazer isso com ações que promovam o diálogo e a noção de alteridade é possível iniciar aquilo que Ananás Mockus, em Bogotá, intitulou de “cultura cidadã”, um projeto (ethos) comum de como projetamos a nossa vida em sociedade, como a imaginamos para além da realidade do aqui e agora.
Essa liberdade de imaginar a nossa vida individual ou em sociedade de forma criativa, rompendo com o senso comum da leitura ad nauseum dos indicadores socioeconômicos, em ação de deslocamento momentâneo dessa realidade para uma imaginação ativa e criativa, é uma grande contribuição das boas políticas de cultura para sociedades em qualquer momento de sua história. Para isso é preciso que as experiências vivenciadas pelos indivíduos desde a infância sejam ricas, sejam de qualidade do ponto de vista do conteúdo e da forma. Experiências capazes de promover o que o filósofo Renato Janine Ribeiro propõe ” é cultural toda a experiência da qual saio diferente - e mais rico - do que era antes. Seja o que for, um livro, um filme, uma exposição: estou no mundo da cultura quando isso não apenas me dá prazer (me diverte, me entretém), mas me abre a cabeça, ou para falar bonito, amplia o meu mundo emocional, aumenta a minha compreensão do mundo em que vivo, e assim, me torna mais livre para escolher o meu destino”.
É fácil? Não, não é. Primeiro porque exige uma reconceituação do que queremos com nossas politicas de cultura, depois impregnar a gestão (programas, formação de RH, infra-estrutura institucional, orçamento) de uma potência que ela ainda não tem. Em outras palavras, é preciso inovar. E entender que ricos e pobres tem direito de compartilhar a mesma qualidade de repertórios artísticos, de trocarem experiências entre si e com diferentes formas de pensar e viver o mundo, de compreenderem a história cultural desse país e da humanidade com programas e técnicas atrativos que inspirem as mais diversas faixas etárias e segmentos sociais. Enfim, de vivenciarem a experiência cultural naquilo que ela tem de mais radical: a magia de sentir-se tocado pelo espírito que anima a existência. Um percurso para pensar as politicas de cultura? Programas capazes de promover inspiração, experimentação e por fim, a criação de linguagens próprias, mas em constante diálogo com o que não conheço.
O que deve mover as politicas de cultura é reinventar os imaginários pessoais e coletivos, permitindo aos indivíduos a liberdade de fazerem escolhas que poderiam inicialmente parecer disparatadas, ou impossíveis. É estimular o sonho, a liberdade de espírito que nos leva a produzir outras formas de estar juntos. Memória e experimentação são dois elementos centrais para garantir a qualidade desse percurso. O que mais? Acreditar. Ousar. Libertar-se dos modismos atuais que pregam que válido é só o que promove “inclusão” ou que reduz indicadores de violência, ou de vulnerabilidade sociais. Por experiência própria, sei que um bom programa de cultura é capaz de virar para o bem a cabeça de muitos que dele participam, mas o mote é sempre o desenvolvimento, a oportunidade, a elegância de crer na potência, sem que ela seja interditada pelo conservadorismo de plantão que distingue “quem pode mais e quem pode menos”. Na cultura e na arte, podem todos os que encontram oportunidades para se expressar e se modificar, por que a varinha mágica do espírito aberto e fraterno algum dia os tocou. Se nessa trajetória aprendemos a LER, VER - a nós mesmos, ao mundo que vivemos, aos conteúdos que nos oferecem - e estar LÁ e AQUI, sem falsos moralismos, nem identidades que se tornam guetos, nossa tarefa está iniciada, já que em cultura, nada e nunca é concluído.
Diz a lenda Marta Porto!
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